Belo Horizonte, 6 de março de 2026

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Banco de sêmen espalha mutação cancerígena em 197 crianças na Europa

Material genético de um único doador foi distribuído por clínicas durante mais de 15 anos e só teve alteração genética confirmada em 2023
Foto: Getty

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Um banco de sêmen europeu espalhou, ao longo de mais de 15 anos, uma mutação genética rara associada a alto risco de câncer, afetando pelo menos 197 crianças em diversos países. A mutação ocorre no gene TP53, responsável por conter o crescimento de células cancerígenas. Quando alterado, porém, esse gene passa a estar associado ao desenvolvimento de diversos tipos de câncer, inclusive em idades muito precoces.

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A investigação aponta que o sêmen do doador identificado como 7069, do Banco Europeu de Sêmen (ESB), com sede em Copenhague, foi vendido a 67 clínicas de fertilidade e utilizado em procedimentos em ao menos 14 países. O número de crianças afetadas pode ser maior, já que o banco não informou o total de nascimentos. Parte dessas crianças já desenvolveu câncer, de dois tipos diferentes, e algumas morreram. Especialistas afirmam que apenas uma minoria das que herdaram a mutação não deve desenvolver a doença ao longo da vida.

O primeiro sinal de alerta surgiu em 2020, quando uma criança concebida com o sêmen do doador foi diagnosticada com a mutação TP53. Naquele momento, o material foi colocado em quarentena e passou por novos testes genéticos, que deram resultado negativo, já que a mutação aparece apenas em parte dos espermatozoides. O próprio doador jamais apresentou sintomas. Por isso, o sêmen voltou a ser comercializado. Já em 2023, após a confirmação de um segundo caso, novos exames detectaram a mutação em parte do material, o que levou à proibição definitiva do uso do sêmen do doador.

Legalmente, o banco de sêmen deve comunicar às clínicas de fertilidade qualquer anomalia genética identificada, para que os pais sejam informados. No entanto, a investigação identificou diversos casos em que famílias não receberam nenhum aviso oficial de que seus filhos poderiam ser portadores da mutação genética. A apuração foi realizada por um consórcio de 14 emissoras públicas, entre elas DW Brasil, BBC e a rede de jornalismo investigativo da União Europeia de Radiodifusão (EBU).