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O Banco Central (BC) decretou nesta quarta-feira (21/12) a liquidação extrajudicial do Will Bank, instituição digital controlada pelo Banco Master. A decisão foi tomada após o banco não cumprir obrigações no sistema de pagamentos da Mastercard, o que levou ao bloqueio das operações e tornou a liquidação inevitável. O Will já operava sob Regime Especial de Administração Temporária (RAET) desde novembro, quando o Banco Master, seu controlador, também foi liquidado.
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De acordo com o Banco Central, a insolvência do Will Bank está diretamente ligada ao vínculo com o Banco Master S.A., que exercia poder sobre o conglomerado financeiro. Apesar de o conglomerado representar menos de 1% do Sistema Financeiro Nacional, a situação gerou preocupação entre os clientes, já que tanto quem tem dinheiro depositado quanto quem possui dívidas com o banco já estão sendo afetados pela medida.
Antes da liquidação, o BC assumiu temporariamente a gestão do Will Bank para tentar evitar prejuízos maiores e possibilitar a venda a um novo investidor de origem árabe, que demonstrou interesse no negócio. No entanto, a negociação não foi concluída. Em nota, o BC informou que a decisão ocorreu devido ao “comprometimento da situação econômica” da instituição e à incapacidade de honrar suas próprias dívidas.
Nesta segunda-feira (19), a Mastercard comunicou que a Will Financeira não realizou os pagamentos devidos. No dia seguinte, a bandeira suspendeu a aceitação dos cartões emitidos pelo banco por risco sistêmico. Com isso, os cartões de crédito deixaram de funcionar imediatamente, inclusive para compras recorrentes, embora as faturas em aberto continuem válidas e devam ser pagas pelos clientes.
Além disso, correntistas passaram a enfrentar dificuldades para acessar seus recursos. O aplicativo do Will Bank segue ativo, permitindo apenas a visualização de saldos, limites e faturas, mas sem concluir operações como PIX, transferências ou pagamentos. Usuários também relataram instabilidades no sistema, com picos de reclamações registrados em plataformas de monitoramento. O banco acumulava cerca de R$ 7 bilhões em passivos e aproximadamente R$ 8 bilhões em transações vinculadas à Mastercard. Quem tem dinheiro em conta ou aplicações elegíveis seguem protegidos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que cobre até R$ 250 mil por CPF, embora o BC ainda não tenha informado prazo para a liberação dos recursos.







