Belo Horizonte, 7 de março de 2026

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Auditoria revela que sistema do Louvre usava “Louvre” como senha de segurança

Falha expõe vulnerabilidade do maior museu do mundo, que operava com softwares antigos e proteção cibernética quase inexistente
Senha do sistema de segurança do Museu do Louvre era “Louvre”
Senha do sistema de segurança do Museu do Louvre era “Louvre” Foto : DIMITAR DILKOFF / AFP

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Documentos de auditorias privadas revelaram falhas graves no sistema de segurança do Museu do Louvre, em Paris, palco de um assalto no dia 19 de outubro. Segundo o grupo CheckNews, o código de acesso ao sistema de videomonitoramento do museu era simplesmente “Louvre”, o que expôs a fragilidade da proteção do maior museu do mundo. As informações, publicadas pelo jornal Libération no último sábado (1º/11), levaram o governo francês a admitir vulnerabilidades no sistema. Após inicialmente negar qualquer problema, a ministra da Cultura, Rachida Dati, reconheceu que houve “falhas de segurança” no episódio.

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Os relatórios apontam que os problemas no sistema de segurança do Louvre existem há mais de uma década. Um documento do Ministério da Cultura da França revelou que oito softwares essenciais para o monitoramento e controle de acesso estão desatualizados e sem manutenção há anos. Entre eles está o Sathi, programa criado pela empresa Thales e adquirido em 2003 para supervisionar as câmeras e entradas do museu. Um relatório técnico de 2019 já alertava que o software não era mais mantido pela fornecedora. Em resposta, a Thales afirmou que não há contrato de manutenção ativo e que o museu nunca procurou renovar o suporte.

Outro ponto crítico identificado é o uso de sistemas obsoletos. Um documento de 2021 mostrou que o Sathi ainda operava em um servidor com o Windows Server 2003, um sistema descontinuado pela Microsoft desde 2015. Essa combinação de softwares antigos e incompatíveis comprometeu não apenas a proteção das obras e das joias da coroa, mas também a segurança dos visitantes. Especialistas em cibersegurança conseguiram acessar a rede interna do museu a partir de computadores comuns, o que permitiu manipular o sistema de videomonitoramento e até alterar permissões de crachás usados no controle de entrada.

A situação se agrava com o uso de senhas extremamente fracas. A Agência Nacional de Segurança dos Sistemas de Informação (ANSSI) constatou que bastava digitar “LOUVRE” para acessar um dos servidores de câmeras, ou “THALES” para outro software. Mesmo com tamanha vulnerabilidade, o roubo teria sido executado por criminosos considerados amadores. Quatro suspeitos foram detidos pela polícia francesa, e segundo a promotora de Paris, Laure Beccuau, os perfis indicam que “não se trata exatamente de delinquência cotidiana, mas também não é o tipo de crime ligado aos escalões superiores do crime organizado”.