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Dezenas de agricultores franceses protestaram nesta sexta-feira (19/12) em frente à casa de praia do presidente Emmanuel Macron, em Le Touquet, contra o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul. Desde as primeiras horas do dia, cerca de cinquenta manifestantes atenderam ao chamado sindical, estacionaram tratores na orla da cidade e, em seguida, despejaram esterco e outros resíduos agrícolas perto da residência, que estava sob vigilância policial. O ato ocorreu um dia após protestos semelhantes em Bruxelas e reforça a pressão sobre o governo francês em relação ao acordo UE-Mercosul.
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Durante a manifestação, os agricultores descarregaram sacos de esterco, pneus, repolhos e galhos nas imediações da propriedade. Além disso, um caixão com a frase “Não ao Mercosul” foi colocado em frente à mansão, como forma simbólica de rejeição ao pacto comercial. Embora a Comissão Europeia tenha adiado a assinatura do acordo para janeiro, os sindicatos afirmam que a medida é insuficiente e seguem exigindo o abandono total do tratado.
Ao mesmo tempo, associações de agricultores também criticam possíveis cortes nas subvenções agrícolas da União Europeia e medidas climáticas que, segundo eles, podem aumentar os custos de produção. O prefeito de Le Touquet, Daniel Fasquelle, declarou apoio ao movimento e afirmou que os produtores seguem sem garantias claras. Já Benoît Hédin, do sindicato agrícola FDSEA, classificou o protesto como “simbólico” e contrário à “política europeia atual”. “Estamos retrocedendo”, disse, ao citar o Mercosul e a reforma da Política Agrícola Comum, que pode reduzir benefícios aos agricultores no próximo ano.
Um dia antes, em Bruxelas, o presidente Emmanuel Macron afirmou que a França não apoiará o acordo comercial entre a UE e o Mercosul sem novas salvaguardas para os agricultores franceses. “Quero dizer aos nossos agricultores, que manifestam claramente a posição francesa desde o início: consideramos que as contas não fecham e que este acordo não pode ser assinado”, declarou à imprensa antes de uma cúpula europeia. Além disso, Macron reforçou que o país vai se opor a qualquer “tentativa de forçar” a adoção do pacto com o bloco sul-americano.







