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Um relatório da Polícia Federal (PF) revelou que a estrutura clandestina conhecida como “Abin paralela” monitorou por engano um homônimo do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A informação consta no documento final das investigações, divulgado nesta quarta-feira (18/06), que culminou no indiciamento de 36 pessoas e apontou o ex-presidente Jair Bolsonaro como principal beneficiário das ações ilegais.
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De acordo com a PF, o agente de inteligência Thiago Gomes Quinalia realizou três buscas no sistema First Mile, em maio de 2019, relacionadas a um homônimo de Moraes. “O Agente de Inteligência THIAGO GOMES QUINALIA realizou diversas pesquisas no sistema First Mile, dentre elas o homônimo do Exmo. Ministro Relator”, diz o relatório encaminhado ao STF. A falha na identificação demonstra a falta de critério e controle na execução de ações da chamada “Abin paralela”.
Quinalia foi designado, em 2024, para o cargo de auxiliar de adido na França, mas não retornou ao Brasil em abril, como previsto. Desde então, abandonou a função pública e seu paradeiro é desconhecido, segundo a PF. O relatório foi entregue ao STF, onde o caso é relatado pelo próprio Alexandre de Moraes, que, nesta quarta, decidiu retirar o sigilo dos autos após constatar vazamentos seletivos de partes da investigação.
A operação da PF expõe o uso da Agência Brasileira de Inteligência para monitorar opositores do governo entre 2019 e 2021, durante a gestão de Alexandre Ramagem — então diretor da Abin e hoje deputado federal. A corporação afirma que Jair Bolsonaro era o principal nome do “núcleo político” que se beneficiava das atividades clandestinas. Carlos Bolsonaro, vereador pelo Rio de Janeiro e filho do ex-presidente, é apontado como idealizador da “Abin paralela”.
A PF afirma que Carlos não confiava nas estruturas oficiais e, por isso, articulou a criação de um sistema próprio de espionagem. Ele também seria o destinatário final das informações coletadas ilegalmente e o principal beneficiário das ações da rede. Além disso, o relatório aponta que assessores ligados a Carlos solicitavam diretamente ao então chefe da Abin que interferisse em investigações envolvendo Jair Bolsonaro e seus filhos. Mesmo integrando formalmente a Presidência, os servidores da Abin paralela, segundo a PF, estavam subordinados ao vereador carioca.







