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O secretário de Governo da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), Anselmo José Domingos, foi exonerado após ser acusado de articular contra o candidato apoiado pela gestão do prefeito reeleito, Fuad Noman, à presidência da Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH). A demissão ocorre em meio a uma série de movimentações políticas que geraram uma quebra de confiança entre Domingos e a administração municipal, resultando em uma decisão que marca um novo capítulo nas articulações políticas da cidade.
A exoneração de Domingos foi formalizada no dia 27 de dezembro, por meio de uma publicação em edição extra do Diário Oficial do Município. Com isso, o vice-prefeito eleito, Álvaro Damião (União), foi nomeado pelo prefeito Fuad Noman para o cargo de secretário municipal de Governo, em substituição a Domingos. Damião acumulará as funções de vice-prefeito e secretário municipal de Governo, assumindo oficialmente suas funções no dia 1º de janeiro, com a missão de fortalecer as articulações políticas para a eleição de Bruno Miranda (PDT) à presidência da CMBH.
Damião, que já vinha articulando a candidatura de Miranda contra a de Juliano Lopes (Podemos), foi escolhido por Fuad Noman para liderar as negociações junto aos vereadores. A nomeação de Damião reflete uma tentativa do prefeito de fortalecer a base política do governo, reforçando a candidatura de Miranda e consolidando a posição do novo vice-prefeito no cenário político da cidade. A mudança na Secretaria Municipal de Governo também representa uma clara sinalização de que a atual administração tem o objetivo de conduzir as negociações de forma mais direta, sem interferências externas que possam comprometer a governabilidade no novo mandato.
A exoneração de Anselmo Domingos ocorreu após uma série de movimentações que indicaram seu apoio à candidatura de Juliano Lopes, adversário de Miranda na disputa pela presidência da CMBH. Lopes, que conta com o apoio de um grupo de vereadores liderados pelo secretário da Casa Civil do governador Romeu Zema, Marcelo Aro (Podemos), buscava apoio de vereadores da base de Fuad Noman. Essa articulação foi vista como uma ameaça à governabilidade do novo governo, o que levou à perda de confiança por parte do prefeito reeleito.
Domingos, que tem uma longa relação pessoal com Lopes, foi acusado de prometer cargos no futuro governo em troca de apoio à candidatura de Lopes, o que causou ainda mais desconfiança na administração municipal. O prefeito Fuad Noman e Álvaro Damião, por meio de seus interlocutores, desautorizam essas promessas e deixam claro que, caso vereadores optem por apoiar a candidatura de Lopes, não terão espaço no governo.
Agora, com a exoneração de Domingos e a nomeação de Damião, a gestão de Fuad Noman tenta restabelecer sua base de apoio na Câmara Municipal e garantir a vitória de Bruno Miranda na eleição para a presidência da CMBH, que ocorrerá logo após a posse da nova legislatura, no dia 1º de janeiro. A presença de Fuad Noman na cerimônia ainda não foi confirmada, uma vez que o prefeito tem enfrentado problemas de saúde desde sua reeleição, o que gerou uma série de internações, a última delas às vésperas do Natal.
A disputa pela presidência da CMBH promete ser acirrada, com a eleição dividida entre os apoios a Bruno Miranda e Juliano Lopes. A nova legislatura, que começa em fevereiro, será marcada por intensas negociações e pela definição das lideranças políticas que darão os rumos à gestão municipal nos próximos anos.