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A relação próxima entre o presidente argentino Javier Milei e Donald Trump não impediu que a Argentina fosse alvo da nova política comercial dos Estados Unidos. Nesta semana, Trump anunciou tarifas de 25% sobre aço e alumínio, atingindo diretamente a economia argentina, uma das principais fornecedoras desses metais ao mercado norte-americano.
A imposição das tarifas preocupa o governo argentino, que enfrenta uma economia fragilizada, com altos índices de inflação e déficit fiscal. Empresas do setor temem perdas significativas, enquanto Milei busca uma estratégia para evitar maiores impactos. A fragilidade inesperada da Argentina evidencia que até mesmo os aliados não estão livres da política comercial agressiva de Trump, representando um obstáculo para qualquer líder que pense que uma conexão pessoal pode afastar possíveis retaliações.
Tentativa de negociação
Milei tenta reverter a decisão e negociar uma exceção para a Argentina. Ele participará da Conservative Political Action Conference (CPAC), um evento conservador nos EUA, onde espera se encontrar com Trump para discutir a questão. As tarifas estão previstas para entrar em vigor em março, o que dá margem para possíveis acordos, mas Trump já adiantou que não fará concessões.
O governador Ignacio Torres, da província de Chubut — onde está localizada a fabricante de alumínio Aluar —, afirmou que autoridades argentinas já discutiram o tema com o secretário de Comércio da Argentina e a embaixada dos EUA no país. A preocupação é que a medida prejudique um setor já pressionado pela crise econômica interna.
Milei viaja aos Estados Unidos de quinta a sábado, onde terá encontros com o bilionário Elon Musk e com a diretora do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva. A visita coincide com a presença de Trump na CPAC, o que pode abrir espaço para conversas sobre o impacto das tarifas.