Belo Horizonte, 4 de abril de 2025

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Trump e Zelenski trocam acusações no Salão Oval

Em um confronto marcado por declarações fortes e cobranças, o presidente ucraniano deixa a Casa Branca sem a coletiva prevista

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Em uma cena inédita no Salão Oval da Casa Branca, o encontro entre Donald Trump e Volodimir Zelenski se transformou em um confronto público, deixando o presidente ucraniano sem a entrevista coletiva prevista. O encontro, que aconteceu na última sexta-feira (28), teve momentos de tensão extrema, resultando na saída de Zelenski após apenas 2h20min de reunião.

Segundo informações de funcionários da Casa Branca, Trump não hesitou em criticar o líder ucraniano, escrevendo em sua rede social, Truth Social, que Zelenski poderia “voltar quando estiver pronto para a paz”. De acordo com essas fontes, o ex-presidente dos EUA teria ordenado a saída de Zelenski. Durante o encontro, Trump foi enfático ao afirmar que os Estados Unidos “estarão fora” do apoio à Ucrânia se o presidente ucraniano não aceitar uma trégua com o presidente russo Vladimir Putin.

O episódio foi um grande fracasso para Kiev, jogando por terra os esforços de líderes europeus que tentavam aproximar os dois presidentes, especialmente após as recentes declarações de Trump chamando Zelenski de ditador. O republicano, que tem se alinhado à visão de Putin sobre o conflito, se mostrou contrário à continuidade do apoio dos EUA à Ucrânia.

Zelenski chegou com sangue nos olhos ao início do encontro, que foi aberto à imprensa. “Você disse que chega de guerra. Eu acho que é muito importante dizer essas palavras para Putin lá no começo, porque ele é um assassino e um terrorista”, disparou. Trump, visivelmente desconfortável, respondeu de forma ríspida: “Eu sou a favor da Ucrânia e da Rússia”, acrescentando que Zelenski estava “jogando com a Terceira Guerra Mundial” ao tentar colocar os EUA e o Ocidente contra a Rússia. “O que você está dizendo é desrespeitoso com esse país”, afirmou, apontando para o visitante.

A situação se intensificou com a intervenção de J.D. Vance, vice de Trump, que questionou Zelenski: “Você já disse obrigado?”. Vance, ainda indignado, disse: “Eu acho desrespeitoso você vir aqui no Salão Oval e dizer essas coisas em frente à mídia americana”. A embaixadora ucraniana nos EUA, Oksana Markarova, visivelmente constrangida, cobriu o rosto com as mãos durante a troca de palavras.

Trump não poupou críticas e cobrou mais gratidão do presidente ucraniano: “Nós demos US$ 350 bilhões a vocês, se não tivessem nosso material militar, teriam perdido em duas semanas. Vocês têm de mostrar gratidão”, afirmou, exagerando o valor do apoio dos EUA. Além disso, ele declarou que “empoderou” Zelenski a se tornar um “valentão”, mas alertou que, sem o apoio dos EUA, a Ucrânia não conseguiria vencer o conflito: “Você ou fará um acordo, ou nós estamos fora. E se nós estivermos fora, você vai perder”.

Na Rússia, o clima foi de deboche. A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Maria Zakharova, se referiu ao confronto como um “milagre de contenção”, ressaltando que Trump e Vance não chegaram a agredir fisicamente Zelenski. O ex-presidente russo Dmitri Medvedev descreveu a situação como “uma bela palmada” no ucraniano.

Antes da troca de farpas, o clima entre os dois presidentes estava tenso, mas houve breves momentos descontraídos. Trump, ao receber Zelenski, comentou sobre o traje militar usado pelo líder ucraniano, que tem sido um símbolo de seu papel de comandante durante a guerra. “Olhem, ele está todo arrumado!”, disse Trump, sem deixar claro se estava sendo irônico. Mais tarde, um repórter do canal Real America’s Voice Brian Glennquestionou Zelenski sobre quando ele usaria um terno, ao que o ucraniano respondeu: “Quando a guerra acabar, talvez um melhor que o seu”.

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