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Desde que assumiu o cargo em janeiro, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tomou medidas significativas para revisar os programas de ajuda externa do país, afetando diretamente iniciativas voltadas para a saúde global. A Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID), um dos principais órgãos responsáveis por essa assistência, está sendo reavaliada e pode até ser absorvida pelo Departamento de Estado, o que pode impactar negativamente diversos países, especialmente aqueles com mais vulnerabilidades.
O principal foco da mudança é a ajuda dos EUA no setor da saúde, que em 2023 destinou US$ 71,9 bilhões a 209 países, com destaque para programas de prevenção e tratamento de doenças como HIV/AIDS, tuberculose, malária, além de iniciativas de nutrição e saúde materno-infantil. No total, 22% dessa ajuda foi direcionada para questões de saúde, representando um montante significativo para o fortalecimento do sistema de saúde global.
Entre os países mais afetados estão a Tanzânia, que luta contra um surto do vírus Marburg, e a Nigéria e África do Sul, que já enfrentam desafios relacionados a pandemias e doenças infecciosas. A redução ou desmantelamento da USAID pode colocar em risco tratamentos essenciais, como os fornecidos pelo Programa de Emergência do Presidente para o Alívio da SIDA (PEPFAR), que, nos últimos 20 anos, salvou mais de 26 milhões de vidas. O programa, que em 2023 atendeu 20,6 milhões de pessoas em 55 países, é um exemplo do impacto positivo da ajuda dos EUA, mas a falta de clareza sobre as novas políticas de financiamento tem causado apreensão entre as organizações de saúde no terreno.
Programas vitais interrompidos e incerteza no campo da saúde
O congelamento do financiamento da saúde tem gerado interrupções dramáticas em programas fundamentais. Iniciativas de prevenção da malária, que atendiam milhões de pessoas em países como Quênia, Uganda e Gana, e programas de nutrição infantil na República Democrática do Congo, por exemplo, já estão sendo afetadas. De acordo com o Global Health Council, essas interrupções podem prejudicar diretamente milhões de vidas e gerar uma crise humanitária ainda maior.
Além disso, organizações como os Médicos Sem Fronteiras relatam que clínicas e serviços médicos apoiados pela USAID foram abruptamente encerrados, o que tem causado confusão e incerteza nas áreas afetadas. Avril Benoît, diretora da organização, alertou para o risco de interrupção de tratamentos para doenças como HIV, tuberculose e malária, além do impacto nos refugiados e outras populações vulneráveis.
Impacto global e desafios futuros
Com a possível absorção da USAID, as consequências para a saúde global podem ser ainda mais graves, deixando países em desenvolvimento com menos recursos para combater doenças infecciosas e melhorar as condições de vida de populações vulneráveis. O futuro da ajuda externa dos EUA e sua continuidade em programas de saúde dependem agora de decisões políticas que precisam ser cuidadosamente monitoradas, visto que milhões de vidas estão em jogo.