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A decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de sobretaxar em 25% o aço importado impacta diretamente a economia brasileira, especialmente Minas Gerais, maior produtor do país. O aumento da tarifa gerou reações no cenário político nacional, com duras críticas ao governador Romeu Zema (Novo), que recentemente demonstrou apoio a Trump em suas redes sociais.
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD-MG), utilizou o X (antigo Twitter) para atacar Zema, chamando-o de “entreguista e subserviente ao poderio internacional”. Segundo o ministro, a postura do governador mineiro ao elogiar Trump foi respondida com a decisão que prejudica diretamente a economia do estado. “Romeu Zema teve como resposta ao seu tuíte lambe-botas, o anúncio da sobretaxa em 25% do aço mineiro”, declarou Silveira.
A crítica também partiu da secretária de Finanças e Planejamento do PT, Gleide Andrade, que afirmou que “Minas paga o preço” pela postura do governador e lembrou que o estado é o maior produtor de aço do Brasil, o que torna o impacto da medida ainda mais significativo.
Na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, parlamentares do bloco oposicionista também cobraram um posicionamento do governador. A deputada estadual Lohanna França (PV) questionou: “Alguém ouviu um pio do governador? E dos parlamentares que foram bater continência para a bandeira de outro país?”. O questionamento também se estendeu aos parlamentares mineiros que viajaram para acompanhar a posse de Trump, como Nikolas Ferreira (PL) e Bruno Engler (PL), que compartilharam registros nas redes sociais em apoio ao presidente norte-americano.
O deputado federal Túlio Gadelha (Rede), de Pernambuco, também criticou Nikolas Ferreira ao postar uma foto do parlamentar usando um boné com o slogan de Trump. “Imagino o arrependimento do eleitor mineiro que confiou seu voto neste Trumpstazinho aqui”, escreveu Gadelha.
Até o momento, Romeu Zema não se manifestou sobre o impacto da medida para Minas Gerais nem respondeu às críticas. A decisão de Trump de sobretaxar o aço brasileiro coloca o estado em alerta, uma vez que Minas Gerais é o segundo maior exportador de produtos da metalurgia, com valores que ultrapassam US$ 1,54 bilhão, ficando atrás apenas do Rio de Janeiro.
As trocas de críticas entre Zema e aliados do presidente Lula têm sido constantes. Cotado como possível candidato à sucessão presidencial, o governador tem adotado um discurso cada vez mais oposicionista ao governo federal. Recentemente, ironizou uma recomendação de Lula sobre substituição de alimentos caros, afirmando que reaproveitaria o pó de café para economizar, chamando a orientação de “lorota econômica”.
Diante da sobretaxa imposta por Trump e de seus impactos para Minas Gerais, o silêncio de Zema é cada vez mais questionado por adversários políticos.