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Durante a primeira semana de seu segundo mandato, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou uma série de medidas contra a imigração, incluindo deportações em massa. Contudo, a trajetória de sua mãe, Mary Anne MacLeod, entra em um contraditório cenário ao se destacar como uma imigrante que passou mais de uma década nos EUA sem regularizar sua situação.
Nascida em Tong, uma pequena localidade na Ilha de Lewis, na Escócia, Mary Anne MacLeod chegou a Nova York em 11 de maio de 1930, com apenas 18 anos e 50 dólares no bolso – valor que, convertido, equivaleria a cerca de 950 dólares hoje. Embora muitos acreditem que ela tenha chegado como turista e posteriormente se casado com Fred Trump, o histórico de imigração revela que sua intenção desde o início era permanecer nos Estados Unidos.
Os documentos da Fundação Estátua da Liberdade – Ellis Island, que preservam registros de milhões de viajantes que chegaram ao país entre 1892 e 1957, mostram que Mary Anne foi registrada como imigrante, com um visto legal obtido três meses antes de sua viagem. A jovem escocesa embarcou no navio Transilvânia, no porto de Glasgow, com destino a Nova York, onde chegou nove dias depois. Ao passar pela alfândega, ela declarou que seria empregada doméstica e que seu destino seria a casa de sua irmã Catherine, que já morava no Queens, em Astoria.
Apesar de Donald Trump ter afirmado em várias ocasiões que sua mãe viajou para os EUA como turista, os documentos indicam que Mary Anne MacLeod tinha planos de residência permanente desde o início. Em entrevista à BBC, o historiador Barry Moreno, do Museu Nacional da Imigração de Ellis Island, afirmou: “Ela veio com um visto de imigrante para ter residência permanente”.
Mary Anne cresceu em uma comunidade rural empobrecida, onde as oportunidades eram escassas, especialmente após a Primeira Guerra Mundial. Seu pai, embora ocupasse um cargo estável como administrador de correios e proprietário de uma loja, não conseguia impedir que a família enfrentasse dificuldades econômicas. Esse contexto foi um dos motivos que levaram Mary Anne a buscar uma vida melhor nos Estados Unidos, assim como outras pessoas da região, incluindo três de suas irmãs que já haviam emigrado.
Seis anos após sua chegada aos EUA, Mary Anne se casou com Frederick Trump, um empreendedor imobiliário bem-sucedido, filho de imigrantes alemães. Eles viveram em uma área próspera do Queens e tiveram cinco filhos, sendo Donald Trump o quarto. Em 1942, Mary Anne se naturalizou cidadã americana e seguiu sua vida no país até falecer em 2000, aos 88 anos.
Mary Anne MacLeod é uma de muitos imigrantes que buscaram uma vida melhor nos Estados Unidos, e diante disso, não podemos deixar de perceber a ironia das políticas atuais em contraste com o passado de sua própria família.