Ouça este conteúdo
O Google causou grande repercussão nas redes sociais ao remover diversas datas comemorativas significativas de seu serviço de calendário, o Google Agenda. Entre as datas retiradas estão o Mês da História Negra, o Mês do Orgulho LGBTQ+, o Mês dos Povos Indígenas, o Dia da Memória do Holocausto, a Herança Judaica e a Herança Hispânica. A mudança, que começou a ser implementada em 2024, se tornou notória no começo deste ano, quando os usuários perceberam a ausência dessas datas nos calendários automáticos.
A principal justificativa do Google para essa decisão foi a de que o calendário passará a exibir apenas feriados públicos e comemorações nacionais, conforme dados fornecidos pelo site norueguês timeanddate.com. A empresa explicou que manter a adição de tantas datas culturais, relacionadas a diferentes países e grupos, não seria mais viável. Dessa forma, os usuários que quiserem continuar com essas datas em suas agendas terão de inseri-las manualmente.
Essa medida reflete a postura de várias grandes empresas de tecnologia dos Estados Unidos, especialmente após o segundo mandato de Donald Trump, que intensificou discursos contra a “cultura woke” — um termo frequentemente associado a discussões sobre diversidade, equidade de gênero e pluralidade.
No Brasil, as datas do Dia do Orgulho e do Dia da Consciência Negra, que têm reconhecimento pelo governo federal, não devem sofrer com as mudanças no Google Agenda, o que gera alguma expectativa positiva entre os defensores dessas celebrações. No entanto, a decisão também levanta preocupações quanto à retirada de outras datas simbólicas, que representam momentos de luta e visibilidade para diversos grupos.
Esse movimento ocorre em um momento em que o Google também está revisando suas políticas internas, com uma reavaliação das suas metas de contratação voltadas para a diversidade. Esse tipo de revisão não é isolado, já que outras grandes empresas de tecnologia têm diminuído iniciativas relacionadas à Diversidade, Equidade e Inclusão (DEI, na sigla em inglês), especialmente após a eleição de Donald Trump. Em janeiro de 2025, o ex-presidente dos Estados Unidos assinou uma ordem executiva que encerrava programas de DEI no governo federal.
A medida tomada pelo Google foi recebida com críticas por muitos usuários, que veem essa mudança como um retrocesso nas conquistas em prol da valorização da diversidade. Para alguns, a alteração tem a intenção de tornar o calendário mais “neutro”, enquanto outros lamentam a exclusão de marcos culturais de relevância histórica. Além disso, decisões recentes, como a da Meta (Facebook e Instagram), de permitir “alegações de doença mental ou anormalidade” com base em gênero ou orientação sexual, intensificam ainda mais o debate sobre inclusão e diversidade nas plataformas digitais.