Belo Horizonte, 4 de abril de 2025

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Fim da guerra em Gaza

Após 15 meses de conflito, acordo traz esperança de paz e alívio para milhares de civis e reféns

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Após mais de 15 meses de intensos combates, que resultaram na morte de dezenas de milhares de palestinos e agravaram ainda mais a crise humanitária no Oriente Médio, um acordo histórico foi alcançado para encerrar a guerra entre Israel e o Hamas. A negociação, mediada pelos Estados Unidos e pelo Catar, define um cessar-fogo gradual e a libertação de reféns israelenses, trazendo alívio tanto para as famílias envolvidas quanto para os civis que sofrem os efeitos da guerra.

O acordo, anunciado nesta quarta-feira, prevê uma primeira fase de seis semanas de cessar-fogo, que inclui a retirada das forças israelenses da Faixa de Gaza e a troca de prisioneiros. Durante essa fase inicial, 33 reféns israelenses, incluindo mulheres, crianças e homens com mais de 50 anos, serão libertados pelo Hamas. Em troca, Israel deverá liberar prisioneiros palestinos mantidos em suas prisões.

O primeiro-ministro do Catar, xeique Mohammed bin Abdulrahman Al Thani, confirmou em uma coletiva de imprensa em Doha que o cessar-fogo entrará em vigor no domingo. Ele destacou que, apesar dos desafios, os mediadores seguem trabalhando nos detalhes da implementação do acordo com ambas as partes, Israel e Hamas.

Em Washington, o presidente dos EUA, Joe Biden, expressou seu otimismo sobre o impacto do acordo. Ele afirmou que ele “interromperá os combates em Gaza, permitirá a ajuda humanitária essencial para os civis palestinos e reunirá reféns com suas famílias depois de mais de 15 meses em cativeiro”. Nas ruas de Gaza, civis expressaram sua alegria com o avanço da negociação, ainda que o enclave continue enfrentando uma grave crise humanitária, com falta de alimentos, água e combustíveis.

As famílias dos reféns israelenses também reagiram com alívio à notícia. Em Tel Aviv, um grupo de familiares de reféns emitiu um comunicado celebrando a oportunidade de finalmente reencontrar seus entes queridos após meses de incertezas e sofrimento.

O acordo é fruto de meses de intensas negociações conduzidas por mediadores egípcios e do Catar, com o apoio do governo dos Estados Unidos. As negociações ocorreram em um contexto tenso e pouco antes da posse do presidente eleito dos EUA, Donald Trump, marcada para 20 de janeiro de 2025.

O presidente egípcio Abdel Fattah El-Sisi também saudou o avanço nas negociações em um post nas redes sociais, expressando sua esperança de que o cessar-fogo possa trazer estabilidade à região.

Se as negociações forem bem-sucedidas, a implementação do acordo deverá interromper os combates que devastaram Gaza, uma região densamente urbanizada, reduzindo grande parte de sua infraestrutura a ruínas. Milhares de palestinos foram deslocados, com grande parte da população de Gaza, que antes da guerra somava 2,3 milhões de habitantes, tendo que buscar refúgio em condições precárias. O número de mortos, que já ultrapassou 46 mil, continua a crescer a cada dia.

A primeira fase do cessar-fogo, focada na liberação de 33 reféns israelenses, é considerada um avanço significativo, mas o acordo ainda enfrenta desafios. De acordo com Sami Abu Zuhri, um representante do Hamas, a aprovação do grupo ao acordo foi um “grande ganho”. Por outro lado, o gabinete do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu informou que o Hamas havia retirado uma exigência de última hora, mas que ainda restam pendências a serem resolvidas.

A guerra teve início em 7 de outubro de 2023, quando homens armados liderados pelo Hamas invadiram comunidades israelenses na região de fronteira, matando mais de 1.200 pessoas e sequestrando mais de 250 reféns. Desde então, a resposta militar de Israel resultou em uma guerra aérea e terrestre devastadora, com centenas de milhares de palestinos sendo forçados a abandonar suas casas e viver em condições precárias, especialmente com a chegada do inverno.

O acordo é visto como uma luz no fim do túnel após meses de destruição e sofrimento, mas a implementação completa dependerá da colaboração entre as partes e da resolução dos pontos ainda pendentes.

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