Belo Horizonte, 4 de abril de 2025

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Fazenda de óvulos na Geórgia explora mulheres tailandesas

Mulheres eram forçadas a viver em condições desumanas enquanto seus corpos eram abusados para fins de fertilização

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Três mulheres tailandesas foram resgatadas de uma fazenda clandestina de coleta de óvulos humanos na Geórgia, onde estavam sendo forçadas a participar de um esquema de tráfico humano operado por gângsteres chineses. O resgate foi possível graças ao esforço da fundadora da Fundação Pavena para Crianças e Mulheres, Pavena Hongsakula, que se mobilizou após ser informada por uma vítima que havia conseguido escapar.

A história começou em setembro, quando uma mulher tailandesa retornou à Tailândia após ser libertada, mas somente depois de pagar cerca de 70.000 bahts (quase 12.000 reais) à gangue. Ela contou a Pavena sobre a situação das outras mulheres que ainda estavam presas na fazenda, sem dinheiro para pagar pela sua liberdade. As vítimas eram mantidas em condições desumanas e forçadas a realizar procedimentos de coleta de óvulos, sem nenhuma compensação financeira.

A polícia de Relações Exteriores conseguiu libertar as três mulheres restantes e trazê-las de volta à Tailândia no final de janeiro, encerrando o pesadelo dessas vítimas.

De acordo com uma das mulheres resgatadas, o que parecia ser uma oportunidade de trabalho atraente na Geórgia, acabou sendo uma armadilha. Ela viu um anúncio no Facebook oferecendo uma renda entre 400.000 a 600.000 bahts por mês (cerca de 68.000 a 100.000 reais), o que a motivou a entrar em contato com a página. Ao receber mais informações, ela soube que o trabalho seria como mãe de aluguel para casais que não conseguiam ter filhos. A promessa era de que o processo fosse legal na Geórgia. O empregador cobriu todas as despesas com passaporte e viagem.

Em agosto, a mulher e cerca de 10 outras pessoas viajaram para a Geórgia, acompanhadas por uma tailandesa que acreditava-se trabalhar para a gangue. Quando chegaram ao destino, foram levadas a um local isolado, onde havia grandes casas e outras 100 mulheres tailandesas morando no local. Foi então que a verdade veio à tona: ao invés de mães de aluguel, as mulheres estavam sendo forçadas a se submeter a coletas de óvulos. Elas recebiam hormônios para estimular os ovários e, uma vez por mês, eram anestesiadas para a remoção dos óvulos.

Algumas dessas mulheres sequer receberam qualquer pagamento pelos procedimentos. Acredita-se que os óvulos coletados eram vendidos e traficados para outros países, destinados a fertilização in vitro (FIV).

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