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A empresária Marisa Granchelli, de Holambra (SP), fez um desabafo sobre a crescente dificuldade de encontrar mão de obra qualificada para sua floricultura, a R.M. Flores. Em um vídeo que circulou nas redes sociais, Marisa expressa frustração com a situação que, segundo ela, não é exclusiva da sua empresa, mas afeta diversos setores no Brasil.
Em sua postagem, a empresária revela que tem dedicado longas horas de trabalho para suprir a falta de funcionários, algo que se tornou uma constante em sua rotina. Ela acredita que uma das razões para esse cenário seja a dependência de benefícios sociais oferecidos pelo governo. “A gente não acha ninguém para trabalhar porque a maioria já tem algum tipo de auxílio do governo e elas não querem ser registradas para não perder esse auxílio.”
Marisa compartilhou com seus seguidores a percepção de que o problema não está restrito à sua área de atuação, mas afeta diversas profissões. Ela também mencionou a dificuldade de lidar com gerações mais jovens, que, segundo ela, se ofendem facilmente com qualquer tipo de feedback ou correção no ambiente de trabalho.
Em um apelo, Marisa ainda pediu que pessoas mais velhas, mesmo já aposentadas, considerassem trabalhar em sua empresa. “Quem quiser de 60, 70 anos e estiver com uma boa saúde, pode vir procurar aqui a R.M. Flores”, disse ela, sugerindo que as gerações mais experientes poderiam ser uma alternativa viável para suprir a escassez de mão de obra.
Além disso, a empresária fez um alerta para aqueles que dependem de auxílios do governo e evitam o emprego formal. “Cuidado, pessoal, quem acha que está ganhando muito com alguma bolsa do governo vai se arrepender no futuro,” afirmou, lembrando que, ao não contribuir para a aposentadoria, a pessoa pode se prejudicar financeiramente ao longo dos anos.
O vídeo gerou uma grande repercussão e já conta com mais de 130 mil visualizações somente no perfil da R.M. Flores no Instagram, com reações das mais variadas. Muitos concordam com Marisa e apoiam a ideia de que a falta de mão de obra qualificada é um reflexo de uma realidade mais ampla. Porém, outros discordam, argumentando que a “escassez” de trabalhadores também está relacionada à insatisfação com as condições de trabalho, como rotinas exaustivas e salários baixos, que, segundo eles, não condizem com as exigências do mercado. Esses críticos afirmam que os trabalhadores estão cansados de serem explorados e agora estão mais criteriosos na escolha dos empregos, priorizando jornadas e remunerações justas.
Em um cenário um pouco mais otimista, vale lembrar que, de acordo com o Novo Caged, o saldo de empregos formais no Brasil registrou um crescimento de 16,5% em 2024, comparado ao ano anterior. Entre janeiro e dezembro de 2024, o país gerou 1.693.673 postos de trabalho, contra 1.454.124 em 2023. Os dados mostram que o setor de serviços liderou a criação de empregos, com um acréscimo de 929.002 postos, seguido pelo comércio, com 336.110 novas vagas.
Apesar da redução no saldo de empregos em dezembro de 2024, que teve uma queda de 535.547 postos, os dados gerais mostram um cenário de recuperação e crescimento no emprego formal, sendo que 83,5% dos postos gerados são considerados típicos, ou seja, empregos com vínculos formais.