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A ex-policial civil de Goiás, Pollyana Luiza, utilizou suas redes sociais para compartilhar um desabafo emocionante sobre sua saída da corporação, após 15 anos de dedicação. No vídeo, gravado após devolver seus pertences, ela relata que somente no momento de sua despedida a instituição demonstrou preocupação com sua saúde mental, solicitando uma avaliação psicológica e questionando se ela tinha tendências suicidas.
Pollyana está se aposentando devido a um câncer que desenvolveu ao longo dos anos de serviço. Segundo ela, enquanto esteve ativa na corporação, enfrentou assédio moral e rotinas exaustivas, e mesmo após o diagnóstico da doença, nunca recebeu qualquer apoio ou contato da instituição. “Nunca recebi uma ligação ou mensagem”, afirmou, destacando a decepção com a falta de empatia e acolhimento da corporação.
No vídeo, ela também expressou sua indignação ao afirmar que a avaliação psicológica era apenas uma formalidade, com o único objetivo de verificar se ela tinha condições de portar arma de fogo. “Era só isso que preocupava a corporação, os armamentos”, lamentou.
Em meio ao turbilhão de emoções do seu último dia, Pollyana reencontrou seu primeiro chefe, a quem contou sobre sua aposentadoria. O encontro, segundo ela, foi extremamente significativo, pois a fez lembrar do início da sua trajetória na polícia. “Foi muito emocionante reencontrá-lo logo no ‘começo do fim’. Tirei de lição que o fim pode ser um novo começo”, declarou.
Na legenda do vídeo, Pollyana fez um forte desabafo:
“Medo eu tenho de voltar para aquele lugar, onde sofri assédio moral, foram produzidas robustas provas contra o assediador e deixaram prescrever. Eu, que nunca tive nenhum problema de saúde, após isso adquiri síndrome de ansiedade generalizada, pânico, estresse pós-traumático e contribuiu para que eu tivesse câncer.”
O vídeo de Pollyana recebeu uma enxurrada de denúncias de outros ex-policiais, principalmente mulheres, que se identificaram com a sua história. Muitas dessas pessoas compartilharam experiências semelhantes, em que se sentiram desvalorizados dentro da instituição. “Esse é o retrato da Polícia Civil. São raríssimas as exceções” disseram. Também foram muitas as mensagens de apoio, com todas desejando força a Pollyana e lembrando-a de que, ao olhar para frente, todo esse aprendizado, mesmo vindo da dor, se transformará em uma grande fonte de força em sua vida.
Veja o relato completo de Pollyana: