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A conquista do filme “Ainda estou aqui” como Melhor Filme Internacional no Oscar 2025 gerou reação do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Em uma postagem nas redes sociais, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) atacou o diretor Walter Salles, chamando-o de “psicopata cínico” e afirmando que o longa retrata uma “ditadura inexistente”. A declaração ocorreu após o cineasta mencionar preocupações com o cenário político nos Estados Unidos.
“Acredito que o sujeito que bate palmas para prisão de mães de família, idosos e trabalhadores inocentes, enquanto faz filme de uma ditadura inexistente e reclama do governo americano, que lhe dá todos os direitos e garantias para que suas reclamações públicas e mentirosas sejam respeitadas pelo sagrado direito da liberdade de expressão, define, em essência, o conceito do psicopata cínico”, escreveu o deputado no X.
Na publicação, Eduardo Bolsonaro também criticou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, afirmando que, se o diretor Walter Salles criticasse o que chamou de “regime instaurado pelo Alexandre de Moraes”, estaria “na cadeia gozando de todo o esplendor da democracia da esquerda”. Moraes é relator da investigação sobre a tentativa de golpe de Estado após a derrota de Jair Bolsonaro para Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de 2022.
A fala de Bolsonaro veio em resposta a uma declaração de Walter Salles, que, após conquistar o Oscar, demonstrou preocupação com a crescente fragilidade da democracia nos Estados Unidos sob o governo de Donald Trump. Salles comentou sobre a aceleração do processo de fragilização da democracia e a crescente adoção de práticas autoritárias globalmente, citando o paralelo com o filme que dirigiu, que trata de uma ditadura militar. Ele destacou a “extrema crueldade” presente no exercício do poder atual, expressando inquietação com o momento político vivido.
Apesar das críticas de Eduardo Bolsonaro, a vitória de “Ainda estou aqui” não gerou ampla mobilização entre apoiadores da direita. O silêncio predominou nos perfis conservadores nas redes sociais, com quase nenhuma manifestação pública sobre o prêmio.