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No Dia Internacional da Mulher, celebramos as histórias de personalidades femininas que, com coragem e determinação, enfrentaram desafios e construíram trajetórias de sucesso. Hoje, apresentamos três dessas histórias inspiradoras que, mais do que nunca, merecem ser reconhecidas.

Giselda Maria, natural de Pernambuco, teve uma infância difícil e repleta de responsabilidades. Desde os oito anos, ajudava sua avó a lavar roupas no rio, pois não havia água encanada na sua cidade. “Eu ajudava a dobrar, e minha avó mexia com o ferro de brasa”, lembra. Devido às necessidades da família, interrompeu os estudos: “Eu tive que parar os estudos na quinta série para trabalhar. Se eu não trabalhasse, não comia”. Ao se mudar para Belo Horizonte, enfrentou ainda mais desafios, incluindo preconceito e discriminação por ser negra e faxineira. “Me discriminavam dizendo que eu não ia conseguir nada na vida, já até dormi na rua por não ter para onde ir, mas consegui dar a volta por cima.” Para Giselda, a maior dificuldade foi a falta de uma educação formal, algo que ela acredita que poderia ter mudado sua vida. “Se eu tivesse tido a oportunidade de estudar, talvez hoje eu teria realizado meu sonho de ser uma policial militar”. Hoje, além de ser faxineira, ela vende bombons em diferentes pontos de Belo Horizonte, como no prédio onde trabalha e na porta de um supermercado na Pampulha. Seu sonho é terminar os estudos e se formar, e sua maior vitória é ter conseguido superar as dificuldades, criar suas duas filhas, sustentar sua casa e conquistar sua carteira de motorista.

Silvana Alves, com mais de 30 anos de experiência no ramo de salgados, começou sua trajetória para sustentar seus três filhos. Inicialmente, ela vendia produtos congelados para uma padaria, mas com o tempo, decidiu levar o negócio para sua casa, enfrentando dificuldades por não ter capital de giro. “Começamos a correr atrás, entregando os salgados e comprando materiais para fazer mais. Trabalhava até de madrugada para conseguir fazer as entregas”, conta. No início, ela e seu marido se desdobravam para atender a demanda crescente, com ele fazendo as entregas de ônibus. Quando ele adoeceu, Silvana teve que assumir tudo sozinha. “Quando ele teve o AVC, eu fiquei sem chão, mas sabia que tinha que batalhar. Eu queria desistir, pedi muito a Deus que me desse forças, e consegui vencer.” Motivada pelo amor ao que faz e o orgulho pela família, Silvana hoje fabrica mais de 10 mil salgadinhos por mês, conquistou sua casa própria e criou seus filhos com o esforço do trabalho. Seu sonho é ensinar a muitas mulheres que a vida é boa e que tudo depende delas fazerem sua parte.

Luciane Câncio é um exemplo de superação e coragem. Começou a trabalhar aos 10 anos, passou por abusos e dificuldades, incluindo um período de assédio moral e uma relação difícil com o pai de seus filhos, de quem fugiu para protegê-los. Já trabalhou como servente de pedreiro, manicure, cozinheira, gari e muitas outras profissões, sempre em busca de uma vida melhor. Sua grande conquista foi garantir uma vaga na MGS, um marco na sua carreira. “Significa que eu venci e que tudo valeu a pena. Deus é bom o tempo todo e me direcionou para ser quem sou hoje”, afirma emocionada. Recentemente, Luciane passou pela dor da perda de um filho, mas segue em frente, motivada pelos dois filhos e um neto que a apoiam e a incentivam a continuar.
Neste Dia da Mulher, homenageamos histórias como as de Giselda, Silvana e Luciane, mulheres comuns, mas com vitórias imensas, que inspiram não por estarem distantes, mas por estarem entre nós. Elas representam tantas outras ao redor do mundo, e nos mostram que a verdadeira conquista está em seguir em frente, recomeçar e nunca desistir.