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Dois cachorrinhos, Ernesto e Duque, tiveram suas vidas transformadas após serem resgatados de uma situação extrema de maus-tratos em Ribeirão das Neves. O resgate foi conduzido por Rose Paula, protetora animal e responsável pela ONG Dinda dos Cães, que já ajudou centenas de animais. Rose recebeu um telefonema de um sargento da Polícia Militar relatando que haviam encontrado dois cães em condições deploráveis e que era necessário alguém para assumir a responsabilidade pelos animais. “Ele deixou claro para mim que se eu não fosse, infelizmente, os tutores não poderiam ser levados presos em flagrante”, relatou.
Ao chegar ao local, Rose encontrou uma cena revoltante. Ernesto, um vira-lata marrom, estava preso na laje da casa, acorrentado de forma que não conseguia chegar até a comida e a água, que haviam sido deixadas do outro lado, bloqueadas por telhas. Já Duque, um shih-tzu, estava em uma condição ainda pior: além da desnutrição, ele tinha uma ferida profunda infestada por miíase (larvas). Os tutores alegaram que os cães estavam presos por serem agressivos, mas essa justificativa foi imediatamente desmentida pelos próprios policiais e por Rose, que não encontraram qualquer dificuldade em lidar com os animais e após serem libertados das correntes, os animais se mostraram muito dóceis. Também tentaram argumentar que a ferida de Duque havia surgido no dia da ocorrência, o que era impossível devido à gravidade do ferimento e à grande quantidade de larvas. Rose também destacou a importância das denúncias em casos como esse. “Se não tivesse tido a denúncia do vizinho, que filmou o animal cheio de bicho e o outro animal preso, eles teriam acabado morrendo, como tantos morrem, né?”, enfatiza.
Após o resgate, os cães foram levados para a clínica Dr. Animal, em Venda Nova, onde receberam os cuidados do Dr. Rodrigo Palma e sua equipe. Duque precisou ficar internado por um mês devido à gravidade do seu estado, enquanto Ernesto passou cinco dias na clínica antes de ser levado para continuar seu tratamento de desnutrição na casa de Rose. Os custos com os cuidados veterinários chegaram a quase R$ 7 mil, cobertos em parte por doações, mas a maior parte acabou sendo paga pela própria protetora.
Três meses depois, já completamente recuperados, Ernesto e Duque foram disponibilizados para adoção responsável. Eles encontraram novos lares e hoje vivem cercados de amor, deixando para trás o passado de sofrimento e conquistando um recomeço.
No entanto, Rose ainda se mostra indignada com a impunidade nesses casos. “Infelizmente, como todo caso de situação de maus-tratos que o tutor é detido, eles saem dois, três dias depois na audiência de custódia. Eles ficam livres e tranquilos, a gente fica com a conta do veterinário e com os animais. Esses aí, graças a Deus, conseguimos a adoção responsável, mas na maior parte dos animais, a gente se torna o tutor definitivo dele, porque a gente não consegue doar. Ainda mais quando é SRD como o Ernesto, quando são adultos, quando são leishmânicos, cegos ou quando são velhinhos. Eu tenho muitos cachorros aqui nessas situações que não conseguem um lar.”