Belo Horizonte, 4 de abril de 2025

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Brasil Paralelo: O outro lado da história e suas contradições

Como a produtora distorce fatos históricos, influencia o debate político e é sustentado por uma base de apoio conservadora

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A Brasil Paralelo é uma produtora de conteúdos que se autodenomina educacional, mas tem sido alvo de críticas por suas produções que questionam consensos históricos e científicos. Famosa por seus documentários, séries e filmes, a empresa apresenta uma visão que desafia pautas progressistas, como o feminismo, o aquecimento global e as políticas de saúde pública durante a pandemia, além de relativizar eventos como a ditadura militar brasileira.

Fundada em 2016 por Lucas Ferrugem de Souza, Henrique Leopoldo Damasceno Viana e Filipe Schossler Valerim, a Brasil Paralelo se associou a uma ideologia conservadora, com forte influência do ideólogo Olavo de Carvalho, que também é “padrinho” da produtora. A empresa se apresenta como imparcial, mas seus conteúdos frequentemente se alinham com a extrema direita. Ela busca combater o que considera ser o “marxismo cultural”, promovendo uma narrativa que, segundo seus críticos, distorce fatos históricos e científicos. A produtora também se dedica a descredibilizar o feminismo, associando-o a ataques aos valores tradicionais e defendendo posições relativas ao aborto e ao aquecimento global.

Entre as produções mais polêmicas estão documentários como Últimas Cruzadas , que glorificam a colonização europeia, e episódios da série Investigação Paralela , que relativizam a tortura na ditadura militar e distorcem a história de figuras como Maria da Penha, vítima de violência doméstica. Além disso, a Brasil Paralelo investe em conteúdo infantil, como a série Pindorama , que reconta a história do Brasil sob uma perspectiva colonialista portuguesa.

A produtora é financiada por uma base de assinantes que se identifica com suas ideologias conservadoras e de extrema direita. Em 2023, o Brasil Paralelo tinha mais de 500 mil assinantes. Também recebeu transportes de empresários como Jorge Gerdau, que contribuiu com cerca de R$ 1,5 milhão até 2021. Parte significativa de seu financiamento vem do programa de assinaturas, com valores que variam entre R$ 19 e R$ 65 mensais. Além disso, a produtora tem sido uma das empresas que mais investiu em anúncios nas plataformas da Meta entre 2020 e 2024, gastando cerca de R$ 25 milhões durante esse período.

A ideologia do Brasil Paralelo também se reflete em suas relações com políticas. Embora a empresa afirme ser apartidária, figuras de destaque da direita, como a senadora Damares Alves, o ex-técnico e ex-candidato Pablo Marçal e o deputado Marcel Van Hattem, têm presença frequente em seus conteúdos. Em 2021, a empresa foi alvo de investigações da CPI da Pandemia, que suspeitava que o produtora estaria contribuindo para a radicalização política do governo Bolsonaro, embora o pedido de quebra de sigilo tenha sido suspenso pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Uma acusação de censura surgiu em 2022, quando o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) desmonetizou o canal do YouTube do Brasil Paralelo e suspendeu temporariamente a exibição de seu documentário Quem Mandou Matar Jair Bolsonaro? durante o período eleitoral. O TSE os classificou como conteúdos desinformação e ataques à candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva.

Por mais que se apresente como imparcial, o Brasil Paralelo tem sido acusado de distorcer fatos históricos e científicos para promover uma agenda conservadora. Seu conteúdo é amplamente criticado por distorcer a história do Brasil e do mundo, além de questionar teorias científicas amplamente aceitas, como as relacionadas ao aquecimento global e à saúde pública. A postura da empresa reforça uma ideologia de extrema direita, defendendo os valores familiares tradicionais e combatendo o que considera ser uma influência da esquerda nas instituições brasileiras.

Créditos: Intercept Brasil

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