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Na noite de sexta-feira (7), um voo da Força Aérea Brasileira (FAB) trouxe 111 imigrantes deportados dos Estados Unidos para o Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, em Confins. O voo, que partiu de Fortaleza (CE), foi a segunda operação de repatriação realizada neste novo mandato de Donald Trump, e teve como objetivo evitar que os deportados permanecessem algemados durante todo o trajeto até o Brasil.
A aeronave que transportou os deportados fez uma escala em Porto Rico, após ter saído de Alexandria, na Louisiana, nos Estados Unidos. A escolha de Fortaleza como ponto de chegada se deu por sua proximidade com os Estados Unidos, o que permitiu que os deportados não fossem forçados a sobrevoar o território brasileiro com algemas, como é a prática comum nos EUA.
A repatriação dos imigrantes foi marcada por dificuldades, como o longo período sem alimentação. Os deportados relataram ter ficado até 12 horas sem refeição, algo que gerou desconforto e críticas. Mesmo assim, ao desembarcar em Belo Horizonte, alguns não esconderam a emoção, com relatos de pessoas beijando o chão do aeroporto, uma expressão de alívio após o complicado processo.
Em Fortaleza, a ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Macaé Evaristo, esteve presente para acompanhar o desembarque e afirmou que, após negociações com o governo norte-americano, conseguiu garantir que mulheres e crianças viajassem sem algemas. “Lá eles são deportados, aqui são repatriados”, declarou a ministra, destacando o caráter humanitário do procedimento.
O Serviço Social Autônomo de Minas Gerais (Servas) também deu apoio aos repatriados, oferecendo kits com alimentos, cobertores e itens de higiene. Aqueles que não tinham condições financeiras para retornar às suas cidades de origem receberam ajuda do governo.
Este foi o segundo voo com deportados desde o início do mandato de Trump, marcando mais um capítulo nas relações entre os dois países e a política de repatriação dos Estados Unidos. O primeiro voo aconteceu em 25 de janeiro, com 158 deportados a bordo.