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O julgamento de Brahim Aouissaoui, acusado de realizar um ataque fatal à Basílica de Notre-Dame-de-l’Assomption, em Nice, teve início nesta semana, com a audiência do réu e o depoimento de dois peritos. A principal questão levantada pelos advogados das vítimas e pela promotoria é que Aouissaoui estava consciente durante o ataque e não sofre de amnésia, como alegado por ele.
No tribunal, o tunisiano de 25 anos se limitou a dizer: “Não tenho nada a dizer porque não me lembro de nada”, quando questionado sobre o ataque. Em 2020, Aouissaoui esfaqueou três pessoas na basílica, matando a brasileira Simone Barreto Silva, de 44 anos, a francesa Nadine Devillers, de 60, e o sacristão Vincent Loquès, de 55 anos. O réu enfrenta acusações de homicídio e tentativa de homicídio em conexão com uma organização terrorista, e pode ser condenado à prisão perpétua.
Durante a audiência, os familiares das vítimas, incluindo os de Simone Barreto, estavam presentes. Quando Aouissaoui declarou não se lembrar dos eventos, o filho de uma das vítimas não conseguiu conter a emoção e gritou em desespero, sendo expulso da sala. O advogado Régis Bergonzi, que representa algumas das famílias, destacou a tristeza e indignação das partes civis. “Este homem está brincando conosco”, disse ele em entrevista à RFI. A família de Simone, conforme Bergonzi, espera por justiça e, apesar da raiva, o advogado aponta que as expectativas não são iguais entre todos os envolvidos. “Eu represento muitas partes civis neste caso e eles não estão todos a mesma expectativa. Existe muita raiva, mas também muitas nuances e vocês verão que as demandas não são uniformes”, concluiu o advogado.
A defesa de Aouissaoui alega que ele estava desorientado após os ferimentos graves que sofreu durante a abordagem policial. No entanto, os médicos que o examinaram concluíram que os danos não eram suficientes para justificar sua amnésia. Além disso, a análise psiquiátrica revelou que Aouissaoui não estava em um estado mental comprometido no momento do ataque.
O réu, que foi capturado após o atentado, havia consumido drogas, como cannabis e cocaína, mas, segundo os peritos, não estava sob o efeito delas quando cometeu o crime. Aouissaoui, vestido com uma jaqueta branca e sem olhar para as vítimas, foi ouvido em árabe, com a ajuda de um intérprete, e, ao ser questionado sobre o nome de seu advogado, afirmou não saber. A audiência continuará até o dia 26 de fevereiro, com o interrogatório do acusado previsto para o dia 24.