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Hugo Motta, atual favorito à presidência da Câmara dos Deputados, esteve envolvido em trocas de mensagens com Eduardo Cunha, ex-presidente da Casa, que indicam uma ação combinada entre ambos durante o período em que o ex-deputado presidia o Congresso. Relatórios da Polícia Federal, produzidos durante a Operação Lava Jato, reforçam os indícios de uma proximidade estratégica, com Motta agindo em favor de Cunha sem revelar quem estava por trás das demandas.
Essas mensagens, encontradas em investigações que tiveram início com a Lava Jato, mostram que Motta, então em seu primeiro mandato, se alinhou a Cunha, que na época era uma das principais lideranças do PMDB (atualmente MDB). Em uma das conversas, Cunha instrui Motta a assinar uma emenda referente a uma medida provisória que tratava de financiamentos e parcelamentos de dívidas de Estados e municípios, da qual o paraibano era relator.
Em 2015, durante a Operação Catilinárias, que visava Cunha, um relatório da Polícia Federal menciona o uso de Motta como uma “ferramenta legislativa” para atender interesses do ex-presidente da Câmara. Uma das evidências inclui um e-mail de uma assessora de Cunha, que sugere enviar um requerimento para que Motta o assinasse, solicitando informações sobre contratos da Petrobras com uma empresa de biocombustíveis.
A relação de Motta com Cunha sempre foi pública e, em seu livro de memórias, Cunha descreve o aliado como “um bom quadro, cumpridor de compromissos”. Em 2015, aos 25 anos, Motta foi nomeado presidente da CPI da Petrobras por Cunha, em meio aos desdobramentos da Lava Jato. Apesar da amizade e apoio, Motta perdeu uma disputa interna em 2016 para liderar o PMDB na Câmara.