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A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) prendeu, nesta quarta-feira (19), dez pessoas durante a operação Iscariotes, em Belo Horizonte. O grupo está envolvido no desaparecimento e homicídio de um homem de 26 anos, que desapareceu em 23 de dezembro de 2024. As investigações apontaram que a vítima, juntamente com os suspeitos, era parte de um esquema de tráfico de drogas no bairro Serra Verde, região Norte da capital.
Os suspeitos foram detidos por homicídio qualificado, tráfico de drogas, associação para o tráfico, ocultação e destruição de cadáver, falsidade ideológica e fraude processual. Um dos investigados, de 18 anos, ainda está foragido.
As informações sobre a operação foram repassadas à imprensa durante uma coletiva realizada nesta quinta-feira (20), na qual os detalhes sobre os desdobramentos da investigação foram compartilhados com a população.
Início das Investigações
As investigações começaram no dia 25 de dezembro, quando um investigador da Divisão de Referência da Pessoa Desaparecida (DRPD) se deparou com um cartaz de desaparecimento informal nas redes sociais. Após verificar a existência de uma ocorrência na Delegacia Virtual, ele entrou em contato com a pessoa que havia registrado o desaparecimento, uma mulher de 23 anos. Ela compareceu à delegacia, acompanhada de uma amiga de 27 anos, e forneceu detalhes sobre o apartamento onde o desaparecido morava, entregando a chave aos policiais.
Durante as buscas no local, a polícia apreendeu quatro celulares da vítima, que foram encaminhados para perícia.
Provas de Tráfico de Drogas
A análise dos celulares revelou mensagens e imagens relacionadas ao tráfico de drogas, além de evidências de que a vítima administrava um ponto de tráfico e armazenava entorpecentes em uma garagem no prédio em que morava. Foram identificados cinco homens como suspeitos de envolvimento no esquema de tráfico, incluindo dois de 24 anos e outros de 18, 27 e 35 anos. Investigações posteriores revelaram que, dias antes do desaparecimento, houve um desentendimento entre a vítima e um dos suspeitos, o que teria levado à sua morte.
Dinâmica do Crime
No dia 23 de dezembro, a vítima combinou encontros com os suspeitos para buscar drogas e dinheiro, em uma armadilha que resultou em seu homicídio. As investigações revelaram que, no dia seguinte ao desaparecimento, a mulher que registrou a ocorrência, o suspeito de 24 anos que seria seu namorado, e uma amiga, invadiram o quarto da vítima, pegaram seu celular e retiraram drogas da garagem, entregando-as ao suspeito de 24 anos. Além disso, a suspeita de 23 anos apagou mensagens do celular da vítima, que foram recuperadas pela polícia.
A análise das câmeras de segurança também revelou que, após o desaparecimento, uma outra suspeita de 26 anos esteve em São José da Lapa, em uma área de desova de entulho, onde foi encontrado o corpo de outra vítima, quase totalmente carbonizado. Apesar de não ser a vítima desaparecida, a descoberta reforça o envolvimento da organização criminosa.
Ao sair do local do crime, em São José da Lapa, a investigada de 26 anos teria ido diretamente ao apartamento do desaparecido e retirado um quilo de maconha, um caderno com anotações sobre o tráfico de drogas e dois celulares.
Ação Judicial e Responsabilização
Os policiais tiveram acesso às mensagens de celular da suspeita que registrou a ocorrência e da mulher de 26 anos, comprovando assim a parceria delas com os investigados de 18 e 24 anos quanto à retirada das drogas da casa da vítima e à destruição das provas que os vinculasse ao crime.
A PCMG obteve a prisão temporária dos suspeitos. O delegado responsável pelo caso, Alexandre Fonseca, afirmou: “Apesar de não termos localizado o corpo ainda, encontramos provas suficientes de que a vítima foi morta, assim como o envolvimento dos investigados com o homicídio.”
Além das prisões, foram apreendidos veículos usados no crime e pequenas quantidades de drogas. Os presos, seis homens e quatro mulheres, foram levados ao sistema prisional e estão à disposição da Justiça.
As investigações continuam, e um suspeito segue foragido. A PCMG segue empenhada na desarticulação da organização criminosa envolvida neste caso.