Belo Horizonte, 4 de abril de 2025

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PV em crise interna

Reeleição de Penna gera divisão e acirra disputas por poder no partido

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José Luiz Penna, dirigente do PV há 26 anos, foi reconduzido à presidência do diretório nacional do partido no último sábado, em meio a tensões internas e críticas de opositores que apontam falta de transparência em sua gestão. Penna ocupa o topo do ranking de lideranças partidárias mais longevas no Brasil, ao lado de figuras como Valdemar Costa Neto (PL) e Gilberto Kassab (PSD). Segundo especialistas, a permanência prolongada de lideranças pode dificultar a renovação e a modernização das siglas.

Após uma convenção virtual de mais de 15 horas, a chapa de Penna recebeu 82 votos (61,65%), derrotando o grupo opositor liderado por Edson Duarte, ex-deputado federal e ex-ministro do Meio Ambiente, que obteve 51 votos (38,35%). A vitória garante a Penna a continuidade no comando do partido, que ele assumiu em 1999, uma década após a fundação do PV. Durante sua gestão, Penna desempenhou papéis importantes, como a articulação da federação Brasil da Esperança, que une PV, PT e PCdoB.

Oposição critica centralização e falta de transparência

Críticas sobre a gestão financeira e a distribuição de recursos eleitorais intensificaram as divisões internas no PV. Edson Duarte acusa Penna de centralizar decisões, alegando que o dirigente não presta contas e investe excessivamente em uma “burocracia partidária federal pouco transparente”. Para Duarte, o partido perdeu sua essência ao deixar de atuar de forma significativa em pautas ambientais, culturais e de diversidade.

Outro ponto de atrito foi a condução do processo eleitoral interno. Segundo Duarte, não houve a formação de uma comissão eleitoral independente, e o próprio Penna liderou a organização, gerando acusações de “ameaças e coação” contra lideranças estaduais.

Procurado pela imprensa, Penna preferiu não comentar as acusações. Por outro lado, Teresa Britto, vice-presidente do PV, declarou que espera integrar todos os membros ao novo diretório, destacando seu compromisso em unir o partido.

Baixa renovação e desafios na representatividade

A continuidade de dirigentes como Penna reflete uma tendência observada em outras siglas. Valdemar Costa Neto (PL), Gilberto Kassab (PSD), e Marcos Pereira (Republicanos) são exemplos de lideranças que se mantêm no poder há mais de uma década. Contudo, essa longevidade é alvo de críticas por dificultar a entrada de novos quadros e a renovação de discursos políticos.

Para Monalisa Torres, cientista política da Universidade Estadual do Ceará, a permanência prolongada está atrelada à profissionalização das funções nos partidos, mas também gera concentração de poder. Já Luciana Santana, da Universidade Federal de Alagoas, ressalta que esse modelo perpetua vícios internos e limita a visibilidade de novos talentos, comprometendo a inovação política.

O PV enfrenta desafios significativos, incluindo uma queda expressiva em prefeituras conquistadas, que passaram de 47 em 2016 para 14 em 2020, além da redução da verba partidária. Em 2025, o partido assumirá a direção da federação Brasil da Esperança, uma oportunidade estratégica para reposicionar sua relevância no cenário político.

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