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A política brasileira atravessa um momento turbulento, com os dois principais líderes do país enfrentando desafios significativos. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) amarga uma queda expressiva na aprovação popular, enquanto o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) lida com acusações que podem levá-lo à prisão.
De acordo com uma pesquisa do Datafolha divulgada em 14 de fevereiro, a aprovação do governo Lula despencou de 35% para 24% em apenas dois meses, enquanto a rejeição subiu para 41%, a maior desde o início do mandato. Essa insatisfação pode impactar diretamente o futuro político do petista, especialmente com as eleições presidenciais de 2026 se aproximando.
Do outro lado, Bolsonaro também enfrenta dificuldades. Já inelegível, o ex-presidente foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República no último dia 18 por tentativa de golpe de Estado no fim de 2022. Além dele, outras 33 pessoas foram acusadas, e o Supremo Tribunal Federal pode condená-lo à prisão, o que aprofundaria ainda mais sua crise política e jurídica.
A avaliação de Renato Meirelles destaca um cenário eleitoral no qual, apesar da baixa popularidade inicial do terceiro mandato de Lula, a falta de um adversário forte mantém o presidente como o principal nome para 2026. A oposição enfrenta dificuldades em consolidar uma liderança capaz de competir em nível nacional, o que reforça a posição de Lula, mesmo diante de desafios políticos e econômicos.
Segundo Meirelles, as consequências dessa queda na popularidade se refletem no custo dos apoios políticos, mas não indicam, até o momento, uma ameaça real à reeleição, já que “hoje está longe de existir” um concorrente viável. Essa análise foi publicada pelo portal URBS Magna e pode ser conferida na íntegra aqui. Assim, o descontentamento de parte do eleitorado pode não ser suficiente para alterar a correlação de forças na próxima disputa presidencial, a menos que um nome competitivo surja nos próximos anos.
A pesquisa Ipec revelou um desejo crescente de renovação dentro da base de apoio do presidente Lula, com 32% dos eleitores que votaram nele em 2022 considerando que ele não deveria disputar um novo mandato em 2026. Entre os principais argumentos, destacam-se sua idade avançada, a avaliação negativa de seu governo e a necessidade de novas lideranças. Apesar desse cenário, especialistas apontam que Lula ainda tem tempo para reverter essa percepção, especialmente se houver avanços em áreas como economia e bem-estar social. Além disso, a indefinição sobre sua candidatura pode impactar a organização de sua base aliada, que busca alternativas viáveis, como Fernando Haddad. O desempenho do governo nos próximos dois anos será decisivo para definir os rumos da sucessão presidencial.
Fonte: CNN Brasil
Base de pesquisa: IPEC – Base de Lula deseja renovação para 2026, avaliam cientista político Jorge R. Mizael