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O advogado Celso Vilardi, responsável pela defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), vai pedir ao Supremo Tribunal Federal (STF) que os ministros Cristiano Zanin e Flávio Dino sejam impedidos de julgar seu cliente no inquérito que investiga uma suposta tentativa de golpe de Estado em 2022. O argumento é que ambos foram indicados ao STF pelo atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o que poderia comprometer a imparcialidade do julgamento.
Além disso, Vilardi solicitou ao presidente da Corte, ministro Luís Roberto Barroso, que o caso seja transferido da Primeira Turma, composta por cinco ministros, para o plenário do STF, onde os 11 ministros julgariam a ação. O pedido foi feito durante uma audiência no Supremo, realizada na tarde de ontem (24).
A estratégia da defesa também inclui um encontro com o ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, para discutir o processo. Vilardi declarou ainda que pretende entrar com uma petição pedindo a anulação da delação do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, cujos depoimentos fazem parte das provas contra o ex-presidente.
Outro pedido do advogado é a ampliação do prazo de 15 dias concedido por Moraes para que as defesas dos 34 denunciados pela Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentem suas alegações. Um pedido semelhante já havia sido negado anteriormente.
Vilardi criticou a forma como os depoimentos de Cid foram divulgados e insistiu que o conteúdo precisa ser analisado dentro de um contexto mais amplo. Ele também minimizou o impacto de áudios extraídos dos celulares de alguns acusados, que detalham a atuação de militares na suposta tentativa de golpe. Segundo ele, essas gravações não comprometem a defesa de Bolsonaro. “Não complicam… inclusive, ainda não tive acesso a todas as mídias, pretendo despachar ainda esse assunto, precisa ser analisado dentro de um contexto, e não frases separadas”, disse o advogado.
A audiência entre Vilardi e Barroso durou cerca de 20 minutos e foi acompanhada por assessores do STF. Em nota, o Supremo informou que o advogado “apresentou as razões de petições com que ingressará, e o presidente da Corte analisará os pedidos”.