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A Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) aguarda um posicionamento das famílias do ex-presidente Juscelino Kubitschek e do motorista Geraldo Ribeiro para decidir sobre a reabertura do inquérito que investiga a morte de JK. O ex-presidente faleceu em 22 de agosto de 1976, em um acidente de carro na Via Dutra, versão que ainda é questionada.
O pedido para reabrir o caso foi feito por Gilberto Natalini, ex-presidente da Comissão da Verdade de São Paulo, após a reinstalação da CEMDP pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O inquérito civil do Ministério Público Federal (MPF) aponta que há lacunas na explicação oficial do acidente, e o episódio sempre foi cercado de especulações. Uma das suspeitas é que JK e seu motorista foram vítimas de uma ação criminosa durante a ditadura militar, que considerava o ex-presidente uma ameaça.
A família de JK já havia contestado a versão oficial e solicitou a exumação do corpo em 1996, 20 anos após o acidente. A nova perícia, porém, manteve a conclusão da investigação inicial. Uma das hipóteses era que o motorista teria sido atingido por um tiro na cabeça, mas a análise revelou que o objeto metálico encontrado em seu crânio era um prego do caixão. Apesar disso, questionamentos sobre o caso continuaram ao longo dos anos.
Comissões da Verdade de São Paulo e Minas Gerais indicaram que Juscelino Kubitschek pode ter sido alvo de um atentado político. As investigações apontaram indícios de que o carro de JK não colidiu com um ônibus, como sugere a versão oficial, mas sim perdeu o controle devido a uma possível ação externa, como sabotagem mecânica, um disparo de arma de fogo ou até mesmo envenenamento do motorista.
Em 2024, Natalini solicitou ao Ministério dos Direitos Humanos a reabertura da investigação, com base no laudo do perito e nas conclusões do MPF, que afirmam que não há provas concretas sobre o que realmente causou o acidente fatal de JK.