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Em uma grande operação de investigação, a Polícia Federal apreendeu 1.200 equipamentos eletrônicos de pessoas envolvidas em um plano para derrubar a democracia brasileira. A ação resultou na extração de 255 milhões de mensagens de áudio e vídeo, que foram analisadas e revelaram o contato direto entre militares de alta patente e manifestantes golpistas, muitos deles concentrados em frente a quartéis do Exército.
Os áudios, divulgados pelo Fantástico, da TV Globo, no último domingo (23), mostram conversas entre civis e militares, evidenciando a articulação para tentar desestabilizar o governo e contestar as urnas eletrônicas. Entre as gravações, está um áudio enviado pelo tenente-coronel Guilherme Marques de Almeida, que estava lotado no Comando de Operações Terrestres do Exército, em que ele afirma: “A gente não sai das quatro linhas. Vai ter uma hora que a gente vai ter que sair. Ou então eles vão continuar dominando a gente.”
A investigação da PF aponta que os golpistas tentaram manter manifestações nas ruas e pressionar os militares a aderirem à ruptura institucional. De acordo com os investigadores, figuras do alto escalão do governo Bolsonaro teriam agido diretamente para influenciar os comandantes militares a se alinharem com o golpe.
Em um dos áudios reveladores, Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro, admite: “A gente tem cara infiltrado em tudo quanto é lugar. Monitorando e passando para a gente as informações. Refutando ou ajudando a instigar, digamos assim.” Ele também fala sobre a estratégia de contestar as urnas, evidenciando a intenção de minar a confiança nas instituições democráticas.
Um dos momentos que foram mais comentados nas redes sociais, é quando os militares descobrem que Jair Bolsonaro teria desistido de assinar o golpe, temendo ser preso. Em mensagens enviadas por Sérgio Cavaliere, tenente-coronel, para o coronel Gustavo Gomes, ele dá a notícia de que o golpe estava cancelado. Cavaliere afirma que o Alto Comando militar estava “rachado” e que a Marinha só apoiaria a ação se outra Força também se alinhasse. Em outro momento, ele revela que Bolsonaro tinha o decreto pronto para assinar, mas desistiu diante da ameaça de prisão: “Ele assina, e aí ninguém vai e ele vai preso. Então ele não vai arriscar.”
Veja os áudios divulgados pelo Fantástico: