Belo Horizonte, 4 de abril de 2025

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Advogado de Bolsonaro muda discurso e renega críticas passadas

Celso Vilardi, que já se posicionou contra o ex-presidente diversas vezes, assume sua defesa e contesta caso de golpe

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Celso Vilardi, o advogado que assumiu recentemente a coordenação da defesa de Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF), é uma figura polêmica. Antigo crítico do ex-presidente, Vilardi manifestava uma visão contrária ao que defende agora, especialmente sobre os eventos de 2022, relacionados à tentativa de golpe de Estado no Brasil. Em declarações passadas, o advogado chegou a endossar o entendimento de que Bolsonaro incentivava um golpe enquanto estava no poder, o que contrasta com a posição atual de sua defesa.

Em 2020, Vilardi foi um dos signatários do manifesto “Basta!”, que repudia o governo Bolsonaro por suas atitudes contra as instituições democráticas e pela omissão durante a pandemia de Covid-19. O texto expressava que o então presidente estava comprometendo as bases do sistema democrático e desrespeitando ordens judiciais, além de ser considerado responsável por uma ação “genocida”. O manifesto, embora não citasse Bolsonaro diretamente, deixava claro que ele era a figura central dessa crítica.

Além disso, Vilardi também assinou a “Carta às brasileiras e aos brasileiros em defesa do Estado democrático de Direito” em 2022, um documento lido na Faculdade de Direito da USP que se posicionava contra o golpismo do ex-presidente, em especial as ameaças sobre a legitimidade do sistema eleitoral brasileiro. A carta refletia uma preocupação com a continuidade da democracia, pedindo união para enfrentar retrocessos autoritários.

Em um artigo conjunto com outros advogados, Vilardi e seus colegas afirmaram que os ataques de 8 de janeiro, quando manifestantes invadiram os três Poderes da República, foram resultado de uma “cadeia de omissões”. A crítica incluía o apoio público de Bolsonaro ao torturador Carlos Alberto Brilhante Ustra em 2016 e os constantes ataques à democracia. O artigo chamava a atenção para o fato de que Bolsonaro tinha trabalhado durante todo o seu mandato para enfraquecer as instituições democráticas do país.

Contrariando seus posicionamentos anteriores, Vilardi, agora advogado de Bolsonaro, argumenta que o ex-presidente não cometeu nenhum crime. Em entrevistas concedidas antes de assumir a defesa, ele declarou que não tinha dúvidas sobre a tentativa de golpe e sobre o envolvimento de uma “organização criminosa”. Contudo, ao aceitar o caso, ele passou a sustentar que as investigações da Polícia Federal (PF) sobre o ex-presidente estavam enviesadas e que não havia elementos concretos para afirmar que Bolsonaro tivesse participado de articulações golpistas.

Em uma entrevista à Folha de S.Paulo, Vilardi afirmou que suas declarações passadas sobre política e o governo de Bolsonaro não devem ser confundidas com sua atuação profissional como advogado. “Bem ao contrário, sinto-me confortável em defender o [ex-]presidente, porque após estudar os autos não vi qualquer ato ilegal por ele praticado. Críticas políticas não se confundem com o direito de defesa em investigações ou processos, que devem estar baseados em fatos concretos”, concluiu.

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