Belo Horizonte, 4 de abril de 2025

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“Abin paralela” em espera

Inquérito da PF aguarda desfecho de relatório sobre trama golpista para avançar nas investigações

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A Polícia Federal (PF) está aguardando a finalização de um relatório complementar sobre a investigação da tentativa de golpe no final do governo Jair Bolsonaro (PL) antes de concluir o inquérito que apura a existência da chamada “Abin paralela”. Essa apuração tem como principais alvos o vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), atualmente deputado federal, Alexandre Ramagem (PL-RJ).

Embora o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, tenha mencionado que a previsão de conclusão do relatório final sobre a “Abin paralela” seria no final de 2024, isso ainda não aconteceu. A expectativa agora é que a conclusão do inquérito dependa do cruzamento de informações com a investigação sobre a tentativa de golpe, uma vez que há indícios de conexão entre os dois casos.

Um relatório entregue ao Supremo Tribunal Federal (STF) relacionado à trama golpista identificou nomes que também aparecem na investigação da “Abin paralela”, incluindo Alexandre Ramagem e o general da reserva Augusto Heleno, ex-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) no governo Bolsonaro. Segundo a PF, os envolvidos atuaram de forma estruturada, dividindo funções específicas, uma delas sendo a criação de uma inteligência paralela.

A análise também revelou mensagens trocadas em 15 de dezembro de 2022 entre investigados ligados à estrutura paralela da Abin. Nesse dia, os “kids pretos” teriam planejado uma tentativa de prender o ministro Alexandre de Moraes, do STF.

Em dezembro do ano passado, a PF já havia indiciado Bolsonaro e outras 39 pessoas pela tentativa de golpe. O relatório final foi enviado ao ministro Moraes, que aguarda parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR). Durante a operação mais recente, realizada em novembro, a PF apreendeu celulares e computadores que podem fornecer novos elementos para o caso. Entre os presos, estava o general Mário Fernandes, que ocupava um alto cargo na Secretaria Geral da Presidência no governo Bolsonaro. Esse material pode resultar em um relatório complementar ao STF, possivelmente com novos indiciados.

Para avançar na apuração, a equipe responsável pelo caso da “Abin paralela” solicitou acesso às provas do inquérito sobre a tentativa de golpe, já autorizado por Moraes. Apesar disso, o prazo para a conclusão do inquérito poderá ser reduzido caso haja uma decisão do STF ou uma divulgação parcial dos resultados da investigação, como ocorreu no caso das blitze da PRF durante o segundo turno das eleições.

As investigações da “Abin paralela” apontam que, durante o governo Bolsonaro, o software espião FirstMille foi usado para monitorar adversários políticos, jornalistas e ministros do STF. A estrutura também teria sido usada para proteger os filhos do ex-presidente em processos judiciais, desacreditar o sistema eleitoral e disseminar informações falsas.

Em parceria com a fabricante do software, a empresa israelense Cognyte, a PF e a Abin conseguiram recuperar dados de dispositivos utilizados. Os responsáveis pelos setores da Abin ficaram encarregados de identificar os alvos do monitoramento e enviar as informações ao STF. Contudo, em alguns casos, as identidades das pessoas espionadas não puderam ser confirmadas, o que foi interpretado como uma tentativa de interferência nas investigações, gerando tensão entre os órgãos envolvidos.

A Polícia Federal também acusou a atual gestão da Abin de dificultar os trabalhos investigativos. Em um documento enviado ao STF, a PF relatou que houve uma reunião, já no governo Lula (PT), na qual Alessandro Moretti, então número 2 da Abin, teria afirmado que o caso tinha motivações políticas.

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