Belo Horizonte, 3 de abril de 2025

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A gestão de Álvaro Damião já nasce sob desconfiança

Com um histórico legislativo fraco e uma gestão marcada por falhas na comunicação, Damião terá dificuldades para conquistar a confiança da população de BH

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A transição de governo em Belo Horizonte não começou com o pé direito. Após a morte do prefeito Fuad Noman, a cidade passa a ser comandada pelo então vice-prefeito Álvaro Damião (União Brasil). No entanto, antes mesmo de Damião assumir oficialmente, sua gestão já levanta dúvidas e desconfiança por conta da postura da Prefeitura em relação à transparência.

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A forma como a administração municipal lidou com o estado de saúde de Fuad Noman gerou questionamentos. A assessoria da Prefeitura mentiu, durante semanas, que Fuad estava bem e se recuperando, enquanto na realidade sua condição vinha se agravando de maneira irreversível. Se uma assessoria é capaz de omitir informações sobre algo tão sério como o estado de saúde do prefeito, o que impede que manipulem ou distorçam dados sobre a administração pública? Quando se mente uma vez, a confiança se rompe, e a credibilidade passa a ser permanentemente questionada.

Se o início da nova gestão já está marcado por falta de transparência, as perspectivas para os próximos anos não são animadoras. Álvaro Damião tem um histórico político inexpressivo, que não inspira confiança na sua capacidade de governar uma cidade do porte de Belo Horizonte. Como vereador por dois mandatos entre 2017 e 2024, sua atuação legislativa foi fraca. Das 26 leis de sua autoria promulgadas, muitas não tratam de políticas públicas relevantes, focando apenas em mudanças de nome de logradouros, alienação de terrenos públicos e inclusão de datas comemorativas no calendário da cidade. Mesmo suas iniciativas mais significativas ficaram restritas à pauta animalista, com leis que regulamentam espaços de lazer para pets e proíbem técnicas de adestramento abusivas. Embora essas sejam causas importantes, são insuficientes para demonstrar competência na gestão de uma metrópole complexa como Belo Horizonte.

Além disso, sua fragilidade política ficou evidente logo nos primeiros movimentos como prefeito interino. Na recente eleição para a presidência da Câmara Municipal, Damião tentou articular a vitória de seu aliado Bruno Miranda (PDT), mas foi derrotado por Juliano Lopes (Podemos), que venceu por 23 votos a 18. O revés escancarou sua falta de influência entre os vereadores e indicou que sua gestão pode ser marcada por dificuldades em governar com uma base sólida.

Com um histórico legislativo fraco, uma estreia desastrosa na articulação política e uma administração já marcada pela desconfiança, o futuro de Belo Horizonte sob a gestão de Álvaro Damião se desenha instável. A cidade precisa de liderança e eficiência, mas, até o momento, o que se vê é uma gestão frágil e questionável.

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