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A Polícia Federal investiga o envolvimento do Cruzeiro em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). De acordo com a revista Piauí, a compra do atacante Diogo Vitor no início de 2021 teria sido utilizada para movimentar R$ 3 milhões da facção criminosa.
A investigação aponta que a F1rst Agência de Viagens e Turismo, empresa do empresário William Barile Agati, responsável pela carreira do jogador, transferiu esse valor ao clube mineiro em parcelas. No entanto, poucos dias após o último repasse, o Cruzeiro teria iniciado a devolução de parte do montante para a conta pessoal de Agati e para a Burj Motors, outro negócio vinculado a ele. Ao todo, R$ 1,58 milhão teria sido retornado ao empresário.
O Ministério Público Federal (MPF) viu indícios de que essa movimentação fazia parte de um esquema para ocultar a origem ilícita do dinheiro, proveniente do tráfico de drogas. Segundo as investigações, entre 2019 e 2021, Agati teria traficado cerca de duas toneladas de cocaína para a Espanha, utilizando navios e jatinhos. Apesar de não ser considerado membro oficial do PCC, ele teria atuado como intermediário da facção e participado de um consórcio criminoso que planejou a tentativa de resgate de Gilberto Aparecido dos Santos, o Fuminho, da prisão em Moçambique, por meio de suborno a autoridades locais.
Ainda seguindo levantamentos, Diogo Vitor ficou hospedado na casa de Agati em Alphaville, São Paulo, por mais de três meses antes da transferência, enquanto buscava um novo clube. Mesmo após sua contratação pelo Cruzeiro, ele nunca chegou a atuar pelo time e deixou a Toca da Raposa ainda no mesmo ano.
O empresário William Barile Agati foi preso no final de janeiro como parte de uma operação contra tráfico internacional de drogas e lavagem de dinheiro. Seu advogado, Eduardo Maurício, negou as acusações e afirmou à revista Piauí que Agati é “um empresário idôneo e legítimo, primário e de bons antecedentes, pai de família, que atua em diversos ramos de negócios lícitos, nacionais e internacionais, sempre com ética e seguindo as leis vigentes e os bons costumes”. As investigações da Polícia Federal seguem em andamento.