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O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, por unanimidade, aumentar a taxa Selic em um ponto percentual, levando a taxa básica de juros a 13,25%. Essa decisão, tomada durante a primeira reunião sob a presidência de Gabriel Galípolo, visa combater a inflação crescente no país. A elevação da Selic já era esperada pelo mercado financeiro, mas a reação do setor produtivo tem sido de preocupação. O aumento dos juros tende a reduzir os investimentos, aumentar os custos de produção e afetar a competitividade da indústria, especialmente em Minas Gerais, onde o custo Brasil já é elevado.
Este movimento marca o início de um ciclo de alta, que começou em setembro do ano passado. Após quatro aumentos consecutivos, a Selic já acumula uma elevação de 2,75 pontos percentuais desde o final de 2023. O Copom projeta que a alta poderá continuar, dependendo da evolução da inflação nos próximos meses, e já antecipa uma possível nova elevação na reunião de março.
Em relação ao impacto da decisão, Flávio Roscoe, presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), destacou que as empresas que contraíram empréstimos durante a pandemia, com o intuito de enfrentar a crise, agora se veem com mais dificuldades devido à elevação dos juros. Ele ressaltou a necessidade de ações para equilibrar o controle da inflação e estimular o crescimento econômico de forma sustentável, sem prejudicar o ambiente de negócios. “A elevação da Selic a níveis tão altos tende a restringir os investimentos produtivos, aumentar os custos de produção e reduzir a competitividade da indústria brasileira e mineira, especialmente em um contexto em que o ‘custo Brasil’ já é excessivamente alto, com gargalos logísticos, carga tributária elevada e crédito caro”, afirmou Roscoe.
O Copom, por sua vez, afirmou: “Diante da continuidade do cenário adverso para a convergência da inflação, o Comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, um ajuste de mesma magnitude na próxima reunião”. O comitê ainda mencionou que o futuro das altas de juros dependerá de fatores como a evolução da inflação e da política monetária. “A magnitude total do ciclo de aperto monetário será ditada pelo firme compromisso de convergência da inflação à meta e dependerá da evolução da dinâmica da inflação”, completaram os diretores do Copom.
A estratégia de ajuste monetário do Banco Central, com foco no controle da inflação, tem gerado debates, já que a taxa de juros do Brasil continua a ser uma das mais altas do mundo, com 9,18% de juros reais ao ano, ficando atrás apenas da Argentina.
O Copom voltará a se reunir nos dias 18 e 19 de março para revisar a política de juros, e o cenário econômico será monitorado de perto para avaliar os próximos passos.