Belo Horizonte, 4 de abril de 2025

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O sonho da casa própria mais distante e aluguéis mais caros

Com financiamentos mais caros e alta demanda por locação, o mercado imobiliário segue desafiador

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Os brasileiros que dependem do aluguel de imóveis devem se preparar para um novo aumento nos preços em 2025. Em 2024, a alta acumulada foi de 13,5%, segundo o índice FipeZap, e a expectativa é que os valores continuem subindo devido à restrição do crédito imobiliário e ao crescimento da demanda por locação.

Com o financiamento mais caro e maior exigência de entrada para compra, muitos brasileiros devem adiar o sonho da casa própria e recorrer ao aluguel, pressionando ainda mais os preços.

A presidente da Câmara do Mercado Imobiliário e Sindicato da Habitação de Minas Gerais (CMI/Secovi), Cássia Ximenes, explica que a alta dos juros e as novas regras da Caixa Econômica Federal, que elevaram o percentual de entrada de 20% para 30% – e em alguns casos até 50% -, fazem com que mais pessoas optem pela locação. “Ao adquirir um imóvel por financiamento, o comprador não precisa apenas arcar com a entrada. Ele também deve pagar despesas como cartório, escritura e ITBI. São muitos fatores que impactam essa quantia inicial”, detalha.

Com mais pessoas buscando imóveis para alugar, o valor das locações tende a subir. “Se a demanda aumenta e a oferta não acompanha, o imóvel se torna um produto mais valioso e o preço sobe naturalmente”, pontua Cássia Ximenes.

Outro fator que pressiona os valores é a alta da taxa Selic. O aumento dos juros encarece o financiamento de imóveis, reduzindo o acesso ao crédito e elevando a procura por aluguéis. Com maior demanda e uma oferta de imóveis que não cresce no mesmo ritmo, os preços tendem a subir ainda mais.

Paula Reis, economista da DataZap, afirma que o mercado imobiliário deve continuar aquecido em 2025, com reajustes nos aluguéis acima da inflação. Ela explica que, apesar de um crescimento moderado do PIB, o mercado de trabalho segue aquecido, com taxa de desemprego projetada em torno de 7%, o que impulsiona a demanda por moradia.

Outro ponto destacado pela economista é o impacto da alta dos preços dos imóveis. Em 2024, o valor das residências subiu 7,73%, a maior variação desde 2013. Com o encarecimento da compra, muitas famílias preferem adiar a aquisição de um imóvel e continuar no aluguel, ampliando a pressão sobre os preços da locação.

A classe média é a mais impactada por essa realidade. Enquanto a alta renda tem acesso a crédito facilitado e a baixa renda conta com programas como o Minha Casa, Minha Vida, que oferece taxas de juros entre 4% e 8,16% ao ano, os brasileiros de renda intermediária encontram cada vez mais dificuldades para comprar um imóvel e acabam migrando para o aluguel.

Nos últimos anos, o preço médio do aluguel por metro quadrado passou de R$ 39,76, no fim de 2021, para R$ 57,59, o que representa um aumento significativo no custo de moradia para milhares de brasileiros.

Diante desse cenário, especialistas apontam que o crescimento dos preços dos aluguéis pode comprometer o orçamento das famílias. Como a oferta de imóveis para locação não tem acompanhado a demanda, uma solução sugerida seria a implementação de políticas públicas para incentivar a construção de imóveis destinados ao aluguel. Caso contrário, o custo da moradia pode se tornar um desafio ainda maior para os brasileiros nos próximos anos.

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