Belo Horizonte, 4 de abril de 2025

A voz de Minas no portal que mais cresce!

Últimas notícias

Governo tenta reverter nova barreira dos EUA

Estratégia para evitar tarifa de 25% no aço já está em movimento

Ouça este conteúdo

0:00

O governo brasileiro está se mobilizando para reverter a decisão dos Estados Unidos de impor uma tarifa de 25% sobre as importações de aço e alumínio. O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, afirmou que buscará um entendimento com o governo norte-americano para manter o sistema de cotas, que permite a exportação sem a sobretaxa.

A medida foi anunciada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, e deve entrar em vigor a partir de 12 de março. Em 2018, durante seu primeiro mandato, Trump já havia imposto tarifas semelhantes, mas, após negociações, o Brasil conseguiu um acordo que garantiu isenção para um volume fixo de aço exportado. Agora, a intenção é repetir essa estratégia para evitar prejuízos ao setor siderúrgico nacional.

“Cotas são um mecanismo inteligente, se você aumenta a tarifa, aumenta o custo para a cadeia norte-americana”, destacou Alckmin. O ministro já conversou com a embaixadora brasileira em Washington para articular um encontro com autoridades dos EUA.

O presidente do Instituto Aço Brasil, Marco Polo de Mello Lopes, demonstrou confiança na possibilidade de um acordo, mas alertou que o Brasil tem pouco tempo para agir. “A lógica de 2018 não mudou. É a mesma lógica de hoje”, afirmou Lopes, lembrando que, naquela ocasião, o país convenceu os EUA a aceitar o sistema de cotas sem impostos.

Atualmente, o Brasil pode exportar até 3,5 milhões de toneladas de produtos semiacabados e 687 mil toneladas de laminados por ano sem tarifas. O setor tenta flexibilizar essas regras para permitir volumes maiores sem a taxa extra, mas sem sucesso até agora.

As exportações de aço do Brasil atingiram 9,6 milhões de toneladas em 2024, uma queda de 18% em relação ao ano anterior, sendo que 3,4 milhões de toneladas foram enviadas aos EUA. Caso a tarifa de 25% seja mantida sem uma alternativa viável, há preocupação de que as vendas para o mercado americano diminuam ainda mais, afetando a produção e a rentabilidade das empresas brasileiras.

O presidente do Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda), Carlos Loureiro, alertou que, se não houver revisão da medida, a concorrência global pode pressionar os preços do aço, tornando as exportações brasileiras menos competitivas. Já o presidente do Aço Brasil afirmou que o setor não trabalha com a possibilidade de reduzir a produção.

Questionado sobre uma possível retaliação brasileira, Alckmin disse que é preciso agir com cautela. “Comércio exterior é ganha-ganha… O caminho é diálogo, isso já aconteceu anteriormente. Vamos dialogar para buscar um bom entendimento. Não tem guerra tributária”, ressaltou.

plugins premium WordPress