Belo Horizonte, 4 de abril de 2025

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Exportações brasileiras de aço e alumínio enfrentam queda drástica

Taxação de 25% pelos EUA pode comprometer bilhões em vendas e afetar fortemente o setor de metais, com perdas que chegam a 1,6 milhão de toneladas

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A decisão dos Estados Unidos de impor uma tarifa de 25% sobre a importação de aço e alumínio do Brasil pode afetar consideravelmente o setor de metais ferrosos no país. De acordo com uma nota técnica divulgada nesta quarta-feira (12) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o impacto deverá ser uma queda de 11,27% nas exportações brasileiras, o que equivale a uma perda de aproximadamente 1,5 bilhão de dólares ou R$ 8,7 bilhões. Em volume comercializado, o aumento pode chegar a 1,6 milhão de toneladas de aço e alumínio.

A medida, que também poderá reduzir a produção do setor em 2,19% e o mesmo em 1,09%, tem um efeito direto sobre o mercado norte-americano, que representa mais de 10% das vendas do setor de aço no Brasil. Esse impacto é ainda mais relevante quando se considera que cerca de 90% das exportações de produtos semiacabados, como placas e lingotes, vão para os Estados Unidos.

Apesar dos números alarmantes, o Ipea não vê um grande impacto no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. A previsão é de que a redução do PIB seja de apenas 0,01%, e o efeito sobre as exportações totais do Brasil seria de 0,03%.

Recomendações e diálogo com os EUA

Embora os efeitos econômicos possam ser limitados, o Ipea destaca a importância de uma abordagem cautelosa do Brasil em relação à resposta dos EUA. O instituto sugere que a negociação seja a melhor alternativa para o Brasil, especialmente considerando que os Estados Unidos apresentam superávit no comércio com o país.

A possibilidade de retaliação por parte do Brasil, com restrições limitadas aos produtos norte-americanos, também foi mencionada pelo Ipea. No entanto, o instituto alerta para a necessidade de uma avaliação cuidadosa sobre os impactos dessa ação, já que produtos como fertilizantes, coque e carvão são essenciais para a produção agrícola e siderúrgica do Brasil.

Impacto menor no mercado interno e no setor agrícola

Apesar das perdas no comércio externo, o efeito no mercado interno será limitado. Os fertilizantes e compostos nitrogenados, que representam entre 20% e 30% das exportações dos EUA para o Brasil, são alguns dos itens que poderiam ter o preço afetado por novas tarifas. Isso poderia aumentar os custos domésticos para a produção agrícola e industrial, especialmente para o setor siderúrgico, que depende desses insumos.

Antes da análise do Ipea, outras entidades, como o Instituto Aço Brasil e a Confederação Nacional da Indústria (CNI), também indicaram que um diálogo mais aprofundado poderia reverter a decisão dos Estados Unidos.

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