Belo Horizonte, 4 de abril de 2025

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Trump volta atrás e EUA quase dobram importação de ovos do Brasil em meio à crise

Surto de gripe aviária faz governo americano recorrer ao Brasil, apesar de declarações anteriores de independência econômica

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Os Estados Unidos aumentaram significativamente as importações de ovos do Brasil devido ao surto de gripe aviária, que tem causado a disparada nos preços do produto. O governo de Donald Trump avalia flexibilizar regulamentações para permitir o uso de ovos de frangos de corte na indústria alimentícia, como forma de conter a crise no abastecimento. Atualmente, os ovos importados do Brasil são utilizados apenas para ração animal, mas a escassez nos EUA pode levar à ampliação desse uso.

Com a gripe aviária dizimando quase 170 milhões de aves desde 2022, os preços dos ovos dispararam, chegando a um aumento de 53,6% no atacado em fevereiro. Essa alta impactou diretamente supermercados e restaurantes, que enfrentam estoques reduzidos e reajustes nos cardápios. Para mitigar os efeitos da crise, o governo Trump lançou um pacote de US$ 1 bilhão (R$ 5,75 bilhões) destinado a medidas sanitárias, pesquisas de vacinas e ampliação das importações de países como Brasil, Coreia do Sul e Turquia.

A FDA (Administração de Alimentos e Medicamentos dos EUA) está analisando um pedido do Conselho Nacional do Frango para permitir que ovos de frangos de corte sejam destinados ao consumo humano. Hoje, esses ovos são descartados devido à falta de refrigeração adequada, um fator que em 2023 levou a FDA a rejeitar um pedido semelhante, citando riscos de salmonela. No entanto, a indústria de frangos aposta que a mudança seja aprovada, já que alinha-se à política de Trump de reduzir regulamentações.

Atualmente, cerca de 360 milhões de ovos de frangos de corte são desperdiçados por ano nos EUA, sendo que empresas como a Wayne-Sanderson Farms chegam a descartar 500 mil ovos semanalmente. Até 2009, esses ovos eram usados para pasteurização e processamento, mas regras mais rígidas passaram a exigir refrigeração a 7°C em até 36 horas após a postura, algo inviável para esse segmento da indústria.

A ironia da situação não passa despercebida. No início do ano, Trump afirmou categoricamente que os EUA não precisavam do Brasil nem da América Latina: “Eles precisam de nós. Nós não precisamos deles. Todos precisam de nós.” Agora, diante da crise interna, o governo americano se vê obrigado a recorrer justamente ao Brasil para manter sua produção alimentícia funcionando.

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