Belo Horizonte, 4 de abril de 2025

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China bloqueia frigoríficos brasileiros e afeta gigante do setor

Medida atinge empresas no Brasil levanta preocupações no mercado de exportação

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A China interrompeu as importações de carne bovina de sete frigoríficos da América Latina e da Mongólia na última segunda-feira (3). Entre os estabelecimentos afetados, três estão no Brasil, incluindo uma unidade da JBS (JBSS3). A decisão ocorre em meio a um cenário de importações recordes no ano passado, que gerou excesso de oferta e queda nos preços internos da carne bovina na China.

De acordo com informações do departamento alfandegário chinês, os frigoríficos brasileiros suspensos são:

  • Frisa Frigorífico Rio Doce S/A, em Nanuque (MG);
  • Bon-Mart Frigorífico Ltda, em Presidente Prudente (SP);
  • Unidade da JBS (JBSS3) em Mozarlândia (GO).

Além do Brasil, a suspensão também atingiu empresas na Argentina (Frigorífico Regional General Las Heras S.A. e Frio Dock S.A.), no Uruguai (Frigorífico Sirsil) e na Mongólia. O governo chinês não divulgou os motivos específicos para as suspensões.

Excesso de oferta pode ter motivado decisão

Brasil, Argentina e Uruguai estão entre os principais fornecedores de carne bovina para o mercado chinês. No final de 2023, o Ministério do Comércio da China iniciou uma investigação sobre o aumento das importações, após a queda significativa dos preços internos da carne bovina.

Dados da alfândega indicam que a China importou um volume recorde de 2,87 milhões de toneladas métricas de carne bovina em 2024. O acúmulo de produto aumentou as preocupações do governo chinês, elevando o risco de restrições comerciais para países exportadores como Brasil, Argentina, Austrália e Estados Unidos.

Reação do setor brasileiro

A Associação Brasileira das Exportadoras de Carne (Abiec) afirmou que a suspensão ocorreu devido a “não conformidades” identificadas em relação aos requisitos chineses para o registro de estabelecimentos estrangeiros.

“As empresas envolvidas já foram notificadas e estão adotando medidas corretivas para atender às exigências da autoridade sanitária chinesa”, destacou a entidade em nota.

A Abiec acrescentou que, em parceria com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), segue em negociações com as autoridades chinesas para reverter a suspensão rapidamente.

O comunicado também reforçou que “o Brasil reafirma sua confiança na robustez do controle sanitário nacional, conduzido pelo Mapa, e segue trabalhando ativamente para solucionar os questionamentos apresentados com celeridade, garantindo a segurança e qualidade da carne bovina exportada”.

A JBS (JBSS3) declarou que o assunto será tratado pela Abiec, conforme informações do Broadcast.

A expectativa do setor é de que os resultados oficiais da investigação conduzida pela China sejam divulgados ainda este ano, podendo impactar a política comercial do país asiático com seus principais fornecedores de carne bovina.

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