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O valor da saca de café atingiu R$ 2.315,44, o maior preço registrado em quase três décadas, segundo levantamento do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada). Esse aumento de 6,9% em relação a dezembro de 2023, quando a saca custava R$ 2.154,88, reflete os impactos de um cenário desafiador para o setor cafeeiro.
A escassez de chuvas e o calor excessivo comprometeram a produção, reduzindo a oferta do grão. A Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) projeta uma queda de 4,4% na safra brasileira de 2025, com um volume total de 51,8 milhões de sacas. O café arábica, principal variedade produzida no país, deve sofrer um recuo ainda maior, de 12,4%, atingindo 34,7 milhões de sacas.
A alta nos preços também é impulsionada pela demanda crescente no mercado internacional. Em 2024, o Brasil exportou um recorde de 36,94 milhões de sacas, representando 73,2% das exportações totais do setor. Minas Gerais teve um papel fundamental nesse desempenho, exportando mais café do que produziu no período. Com uma safra de 28,1 milhões de sacas, o estado embarcou 31 milhões de sacas para o exterior, utilizando estoques armazenados em cooperativas e armazéns próprios para atender à alta demanda.
Em 2024, o agronegócio mineiro alcançou um marco histórico, superando pela primeira vez a receita do setor de mineração no estado. O café foi o grande protagonista, gerando uma receita de US$ 7,9 bilhões, o equivalente a 46,1% do total comercializado pelo agro mineiro, que somou US$ 17,1 bilhões.
A Conab também destaca que o consumo global de café em 2025 deve atingir 168,1 milhões de sacas, um aumento de 3,1% em relação ao ano anterior. Com estoques reduzidos e a produção comprometida, o setor cafeeiro enfrenta um período de incertezas, enquanto os consumidores podem sentir os efeitos desse cenário nos preços finais do produto.