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O ex-vereador e ex-vice-presidente da Câmara Municipal de Ribeirão das Neves, Léo de Areias (PP), está sendo investigado por práticas ilegais, incluindo rachadinha, corrupção, peculato e lavagem de dinheiro. A Polícia Civil de Minas Gerais confirmou a investigação nesta terça-feira (11), em coletiva de imprensa no Departamento Estadual de Combate à Corrupção e Fraudes. Pela manhã, uma operação foi deflagrada para cumprimento de 14 mandados de busca e apreensão, envolvendo o ex-parlamentar e seus assessores.
A suspeita principal é a prática de rachadinha, caracterizada pelo repasse de parte dos salários de servidores ao político. Conforme as investigações, pelo menos três a quatro assessores de Areias participaram do esquema entre 2021 e 2024, movimentando cerca de R$ 50 mil. O ex-vereador não conseguiu se reeleger nas últimas eleições municipais.
De acordo com o delegado Guilherme Guimarães Catão, a investigação teve início após denúncias anônimas que apontavam a existência do esquema de rachadinha, além do uso irregular de um veículo oficial da Câmara para fins particulares e a presença de funcionários fantasmas no gabinete de Areias. “Chegou uma notícia-crime relatando o envolvimento do ex-vereador nessas irregularidades. Durante as apurações, descobrimos que um dos funcionários nomeados por ele nem sequer trabalhava no gabinete, mas sim em um haras nos arredores do município”, explicou o delegado.
A Polícia Civil também realizou uma análise financeira dos servidores, constatando movimentações bancárias incompatíveis com os salários recebidos. “Esse tipo de repasse costuma gerar movimentações financeiras atípicas, e conseguimos comprovar que os servidores investigados tinham entradas e saídas de dinheiro que não condiziam com seus vencimentos”, detalhou Catão.
Outra suspeita recai sobre a ex-namorada de Léo de Areias, que exercia a função de chefe de gabinete. As investigações indicam que ela também teria recebido parte dos valores desviados e participado da estrutura ilegal montada pelo ex-parlamentar.
Agora, a próxima fase da investigação será a análise dos documentos apreendidos, o que pode fortalecer a denúncia que será apresentada ao Ministério Público. “No cumprimento desses mandados a gente recolheu uma gama de documentos que serão analisados agora. O próximo passo é analisar essa documentação para a gente conseguir coletar o maior número de provas para quando a gente mandar a denúncia ao MP o MP tenha elementos suficientes para a condenação dele”, completou o delegado.
Durante a operação desta terça-feira, Léo de Areias não foi encontrado, mas será intimado a comparecer à delegacia para prestar depoimento. “Já sabemos que ele ficou sabendo do mandado de busca e apreensão e a gente vai intimá-lo para ouvi-lo na delegacia”, informou Catão.
O ex-vereador já possui antecedentes criminais. Em março do ano passado, ele foi preso em flagrante por falsa comunicação de crime, após forjar o roubo de um carro oficial que ele mesmo havia batido. Na ocasião, um de seus assessores também foi detido. Em outro episódio, ocorrido em outubro de 2023, Areias foi levado à delegacia sob suspeita de agressão contra a então namorada. Segundo a Polícia Militar, a vítima relatou ter sido atacada por se recusar a manter relações sexuais com ele e afirmou já ter sofrido agressões anteriores.