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O governo de Minas Gerais publicou nesta sexta-feira (28) o edital de concessão rodoviária do lote Via Liberdade, que prevê a duplicação da BR-356 e outras melhorias no trecho entre Rio Casca e Nova Lima. No entanto, o projeto também impõe um novo custo para os motoristas: o pedágio pode chegar a R$ 11,16 na viagem entre Belo Horizonte e Mariana. A cobrança será feita por meio do sistema “free flow”, sem cancelas, e o pagamento poderá ser realizado em até 30 dias após a passagem pelos pórticos.
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O investimento total previsto é de R$ 6 bilhões, sendo R$ 2 bilhões provenientes do Novo Acordo de Mariana, assinado entre o governo federal e as mineradoras Samarco, Vale e BHP Billiton como parte das reparações pelo desastre de 2015. O plano inclui a duplicação de 67 km da BR-356, a implantação de 39 km de faixas adicionais na MG-262 e MG-329, readequação de acostamentos, correção de curvas e construção de acessos e passarelas.
Apesar das melhorias, a previsão de quatro praças de pedágio no trecho gera críticas, já que o impacto financeiro sobre os usuários frequentes pode ser significativo. A promessa de isenção para transportes coletivos, veículos oficiais e de emergência não ameniza a preocupação dos trabalhadores e estudantes que dependem da rodovia diariamente. O chamado Desconto de Usuário Frequente (DUF) pode até reduzir a tarifa em até 64%, mas aqueles que utilizam a rodovia esporadicamente pagarão até R$ 22,32 por trecho.

Outro ponto polêmico é o modelo de licitação, marcado para 10 de julho na Bolsa de Valores B3, em São Paulo. O critério de escolha da concessionária será o maior deságio sobre os R$ 2 bilhões do Acordo de Mariana, ou seja, vencerá quem precisar de menos recursos do governo. Os R$ 4 bilhões restantes serão investidos ao longo dos 30 anos de concessão, tempo que os motoristas seguirão pagando para trafegar em um trecho que sempre foi gratuito.
A população afetada questiona a necessidade da concessão e do pedágio, principalmente pelo fato de parte dos recursos vir do acordo de compensação pelo rompimento da barragem de Mariana. O argumento é que, em vez de aliviar os custos para quem foi diretamente impactado pela tragédia, o projeto transfere ainda mais despesas para os cidadãos.
A proposta levanta um debate sobre até que ponto o pedágio é uma solução justa para financiar melhorias viárias. Enquanto o governo defende que a medida garantirá infraestrutura de qualidade, os motoristas se perguntam se o preço cobrado não é alto demais para um direito básico de mobilidade.