Belo Horizonte, 4 de abril de 2025

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Delação milionária revela repasses secretos de dinheiro e joias a Bolsonaro

Quatro transferências a Bolsonaro entre 2022 e 2023, envolvendo a venda de joias recebidas pelo governo brasileiro nos Estados Unidos.

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O tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do presidente Jair Bolsonaro, e seu pai, o general Lourena Cid, repassaram ao ex-presidente US$ 78 mil (aproximadamente R$ 445 mil) entre 2022 e 2023, conforme revelou a delação premiada de Mauro Cid. O dinheiro foi obtido a partir da venda de joias recebidas pelo governo brasileiro durante o mandato de Bolsonaro.

De acordo com o acordo de delação, houve quatro repasses de valores, que ocorreram tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos. Os detalhes dos repasses são os seguintes:

  • US$ 18 mil (R$ 103 mil) entregues por Mauro Cid no Brasil, em junho de 2022;
  • US$ 30 mil (R$ 171 mil) entregues por Lourena Cid em Nova York, em setembro de 2022;
  • US$ 10 mil (R$ 57 mil) entregues por Lourena Cid no Brasil, no final de 2022;
  • US$ 20 mil (R$ 114 mil) entregues por Lourena Cid em Miami, em fevereiro de 2023.

Esses valores foram diretamente ou indiretamente repassados a Jair Bolsonaro, sendo que, no caso dos repasses feitos por Lourena Cid, o dinheiro foi entregue ao ajudante de ordens ou, em um caso, diretamente a um assessor de Bolsonaro, Osmar Crivelatti, em uma viagem aos Estados Unidos.

A venda das joias, que também incluiu valores retirados de despesas com viagens e aluguel de automóveis, foi realizada após o governo de Bolsonaro ter recebido as joias como presente do governo saudita. A negociação envolveu Cid, que foi enviado aos Estados Unidos para a transação, e outros membros da equipe de Bolsonaro.

Este caso se insere dentro de uma investigação mais ampla conduzida pela Polícia Federal sobre as joias recebidas por Bolsonaro durante sua presidência, cujos valores chegaram a ser estimados em R$ 5,1 milhões. Em 2023, um kit de joias foi apreendido pela Receita Federal, o que gerou a abertura de um inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF). Bolsonaro foi indiciado por crimes como peculato, lavagem de dinheiro e associação criminosa, e o processo segue sob análise.

A delação de Mauro Cid foi uma das peças-chave que trouxe à tona essas informações e, ao lado das investigações em andamento, pode levar a novos desdobramentos legais para o ex-presidente e seu entorno.

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