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A partir de 10 de abril de 2025, turistas dos Estados Unidos, Austrália e Canadá precisarão de visto para entrar no Brasil. A medida foi adotada pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com base no princípio da reciprocidade. Ou seja, o Brasil passará a exigir visto de turistas desses países que também impõem a mesma exigência para os brasileiros.
O anúncio foi feito em 2023, mas o governo adiou a implementação da cobrança por algumas vezes. No entanto, agora não há previsão de novos adiamentos. A decisão ocorre em um momento de tensão diplomática, especialmente por conta das políticas do presidente dos EUA, Donald Trump, que intensificou discussões sobre tarifas e reciprocidade no comércio internacional.
Trump, em seu discurso no Congresso dos EUA, afirmou que países como o Brasil impõem tarifas muito altas sobre os produtos americanos e que, por isso, os Estados Unidos deveriam retribuir com medidas semelhantes. “Outros países usaram tarifas contra nós por décadas, e agora é a nossa vez de começar a usá-las contra eles”, declarou o presidente dos EUA.
Apesar da justificativa de reciprocidade, a cobrança de vistos para cidadãos dos três países não é unânime. Setores ligados ao turismo no Brasil demonstram preocupação com o impacto da medida no setor. Para muitos, a exigência pode afetar o número de turistas estrangeiros que visitam o país, gerando reflexos negativos em empregos e na economia local.
O deputado Marcel van Hattem (Novo-RS) é um dos principais opositores da medida. Ele apresentou um projeto de decreto legislativo para derrubar a exigência de vistos, argumentando que isso pode prejudicar milhões de trabalhadores que dependem do turismo. Van Hattem defende que, ao adotar a reciprocidade, o governo deveria pressionar os Estados Unidos, a Austrália e o Canadá a abolir a exigência de vistos para os brasileiros, e não impor a medida ao contrário.