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Desde o início dos confrontos na última quinta-feira, 745 pessoas perderam a vida na Síria, incluindo mais de 500 civis da minoria alauíta, vítimas de execuções realizadas por forças de segurança e combatentes aliados ao novo governo. O número de mortos cresceu após uma série de ataques nas regiões costeiras e nas montanhas Latakia, onde as casas dos civis foram saqueadas e destruídas.
De acordo com o Observatório Sírio para os Direitos Humanos, os assassinatos foram caracterizados por ações brutais que incluíram a execução sumária de mulheres e crianças. Além disso, os relatos indicam que os saques às casas e propriedades das vítimas acompanharam os assassinatos. A violência é atribuída aos confrontos entre as forças de segurança sírias e grupos armados leais ao presidente deposto Bashar al-Assad.
O número total de mortos inclui 93 membros das forças de segurança do novo governo e 120 combatentes pró-Assad, elevando o saldo de vítimas desde o início dos conflitos. O governo sírio, por meio da agência oficial SANA, informou que mobilizou forças de segurança em Latakia, Jableh e Baniyas para restaurar a ordem na região. No entanto, a violência contra os civis continua, gerando um clima de medo e desespero entre as comunidades locais.
Samir Haidar, morador de Baniyas, relatou à AFP que dois de seus irmãos e sua sobrinha foram mortos por grupos armados que invadiram suas casas, destacando que havia “estrangeiros entre eles”. Ele conseguiu escapar por pouco e afirmou que, se tivesse demorado mais cinco minutos, também teria sido morto. Outros moradores também compartilharam relatos nas redes sociais sobre os assassinatos de familiares e amigos em suas próprias casas.
O governo sírio, por meio de seu porta-voz, afirmou que as forças de segurança “reimpuseram o controle” nas áreas atacadas. A mensagem foi clara: não seria tolerada nenhuma ação de vingança ou violência contra a população civil. O diretor de segurança de Latakia, Mustafa Kneifati, também enfatizou que a repressão aos atos de violência seria implacável, sem distinção entre os componentes da população síria.
Apesar dos esforços das autoridades para restaurar a ordem, as mortes e os ataques à população civil têm gerado um crescente apelo internacional por medidas humanitárias urgentes. O enviado das Nações Unidas para a Síria, Geir Pedersen, expressou preocupação com os relatos de vítimas civis e pediu que todas as partes envolvidas no conflito evitem ações que possam desestabilizar ainda mais o país. O Comitê Internacional da Cruz Vermelha também fez um apelo para garantir acesso irrestrito aos serviços de saúde e proteção às instalações médicas.