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O cinema brasileiro alcançou um marco histórico na noite de ontem: “Ainda Estou Aqui”, dirigido por Walter Salles, conquistou o Oscar de Melhor Filme Internacional. Esta é a primeira vez que uma produção brasileira vence nesta categoria, destacando-se entre concorrentes de peso como “Emilia Pérez” (França), “A Semente do Fruto Sagrado” (Irã), “Flow” (Letônia) e “A Garota da Agulha” (Dinamarca).
Ao receber a estatueta, Walter Salles dedicou o prêmio a Eunice Paiva e às atrizes que a interpretaram: “Isso vai para uma mulher que teve uma perda tão grande. Esse prêmio vai para ela, Eunice Paiva, e para as mulheres extraordinárias que deram vida a ela, Fernanda Torres e Fernanda Montenegro”, disse o diretor.
O filme narra a história real de Eunice Paiva, interpretada por Fernanda Torres, que enfrenta a perda de seu marido, Rubens Paiva, desaparecido durante a ditadura militar brasileira nos anos 1970. A trama destaca a resiliência e a coragem de Eunice ao buscar respostas sobre o destino de seu esposo. Fernanda Montenegro, mãe de Torres, também participa do filme, interpretando Eunice em sua fase mais madura.
Embora Fernanda Torres não tenha levado o Oscar de Melhor Atriz, que foi para Mikey Madison por “Anora”, sua indicação já representa um feito significativo para o cinema nacional. Durante a temporada de premiações, Torres conquistou prêmios importantes, como o Globo de Ouro e o Satellite Award, ambos na categoria de Melhor Atriz em Drama, por sua atuação como Eunice Paiva.
A cerimônia do Oscar coincide com o Carnaval no Brasil, amplificando as celebrações. Nas ruas do Rio de Janeiro, foliões comemoraram a conquista, evidenciando o orgulho nacional pelo reconhecimento internacional do filme. Em Pernambuco, a população criou um Boneco de Olinda em homenagem a Fernanda Torres, demonstrando o reconhecimento e carinho pelo trabalho da atriz.
Mesmo sem a estatueta de Melhor Atriz, a equipe de “Ainda Estou Aqui” representa um orgulho nacional. Esta conquista ressalta a importância de valorizar nossa cultura e arte, evidenciando a capacidade do cinema brasileiro de contar histórias universais com profundidade e sensibilidade.