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O Governo Federal, em parceria com o Governo de Minas Gerais, iniciou oficialmente as obras de duplicação da BR-381, trecho entre Belo Horizonte e Governador Valadares, um dos mais críticos e violentos do país. A rodovia, conhecida como “Rodovia da Morte”, foi palco de inúmeros acidentes graves ao longo dos anos, com alta taxa de fatalidades, e agora, finalmente, começa a receber a atenção necessária.
A cerimônia de lançamento das obras aconteceu em Belo Oriente, no Vale do Aço, com a presença dos ministros dos Transportes, Renan Filho, e de Minas e Energia, Alexandre Silveira, representando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, além do governador Romeu Zema. A duplicação abrange os 303,4 quilômetros da BR-381, que inclui trechos de alto risco.
A cerimônia foi batizada pelo Ministério dos Transportes como “Máquinas na pista”, referência à fala do governador Zema, que, ao ser questionado sobre sua ausência na assinatura do contrato de concessão das obras em janeiro, afirmou que só se faria presente quando o governo colocasse “máquinas na pista”. E foi justamente com esse nome que o evento foi marcado, simbolizando o início das tão aguardadas obras.
Durante a cerimônia, não houve troca explícita de farpas entre Zema e os ministros, principalmente com Silveira, que frequentemente critica a gestão do governador. No entanto, as indiretas não faltaram. Zema destacou, em seu discurso, que agora daria prioridade a eventos do governo federal que “movimentassem máquinas” e comemorou o início das obras, que considerou “atrasadas”, mas, segundo ele, “começaram, menos mal”.
Divergências nos investimentos:
O governador Zema também cobrou investimentos do governo federal nas rodovias federais que cortam Minas Gerais. No entanto, os ministros Renan Filho e Alexandre Silveira rebatem as críticas com números. Eles destacaram que, no governo de Lula, houve um investimento superior ao realizado durante o governo Bolsonaro, com R$ 750 milhões aplicados nos dois primeiros anos do governo atual, em comparação aos R$ 250 milhões destinados nas rodovias mineiras no último ano da gestão Bolsonaro, que contou com o apoio de Zema nas eleições de 2022.
Silveira, em seu discurso, relembrou que as principais obras realizadas na BR-381 ocorreram durante a primeira gestão de Lula e também mencionou a ajuda do governo federal para que os estados possam quitar suas dívidas com a União, destacando que a dívida de Minas é uma das maiores do país. Renan Filho reforçou que o trabalho conjunto, sem discriminação política, é fundamental para o desenvolvimento das infraestruturas no estado.
Tanto Renan quanto Silveira, assim como o diretor da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Guilherme Theo Sampaio, citaram o ex-presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD), agradecendo seu empenho na defesa dos interesses de Minas, especialmente na aprovação de um novo modelo de renegociação da dívida do estado com a União, o Propag. Pacheco tem sido defendido por Lula como possível candidato ao governo de Minas em 2026, oposição a outros nomes que poderão contar com o apoio de Zema, como o vice-governador Mateus Simões (Novo).
Renan também usou seu discurso para reforçar a ideia de que “quem ganha em Minas, ganha no Brasil”, evidenciando a importância estratégica do estado no cenário político nacional. Ele concluiu seu pronunciamento dizendo: “O que estamos fazendo hoje aqui, governador, é somando esforços, do governo de Minas e do governo federal, para mostrar que, com trabalho sério, projetos antigos podem sair do papel, e a colaboração entre os entes federativos pode levar o Brasil a um futuro melhor.”
A duplicação, com prazo total de oito anos para ser concluída, terá início imediato com intervenções emergenciais e melhorias nas condições da rodovia.
O consórcio Nova 381, responsável pela duplicação, anunciou um plano emergencial de 100 dias que inclui obras em pontos críticos, como a recuperação da Ponte Torta, em João Monlevade, onde ocorreu um trágico acidente em 2021, deixando 19 vítimas fatais. Além disso, serão feitas melhorias na sinalização, drenagem e guarda-corpos, com o início imediato da capina das margens da rodovia. O recapeamento será realizado nos pontos mais críticos, enquanto a duplicação propriamente dita terá início em dois anos.
O ministro Renan Filho garantiu que a cobrança de pedágio deverá ser iniciada em um ano, quando a rodovia estiver em boas condições de tráfego, e as obras de alargamento da pista se estenderão até a conclusão final, com um prazo total de oito anos.
Com a duplicação, espera-se reduzir os índices de acidentes e melhorar significativamente a mobilidade e segurança de quem transita pela região, além de contribuir para o desenvolvimento econômico da área. A BR-381, uma das rodovias mais importantes do estado e do país, finalmente começa a receber a atenção que há muito tempo merecia.